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Moscou04/10/2018 | 14h44

GRU, o serviço secreto russo em todas as suas frentes

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As acusações proliferaram nos últimos meses contra o GRU, o serviço de inteligência do exército russo, famoso por ser muito eficaz e muito secreto, como nos casos de ciberataques, o envolvimento no conflito na Ucrânia ou o envenenamento do ex-espião Serguei Skripal.

- Poderosa agência militar -

Criada pelos bolcheviques em 1918 e considerada como uma estrutura rival da KGB durante a era soviética, a Direção Geral de Inteligência do Estado Maior das Forças Armadas (GRU, que foi oficialmente mudada para a sigla GU em 2010) tem fama de ser a mais poderosa e audaciosa agência de espionagem russa, embora seja pouco conhecida pelo público.

Dirigida desde 2016 por Igor Korobov, que está na lista de pessoas sancionadas pelo governo dos Estados Unidos, a GRU tem uma vasta rede de agentes no exterior e unidades militares de elite, as "Spetznaz".

Se a GRU sempre foi uma organização poderosa, ela retornou ao primeiro plano após a dissolução da KGB, da qual surgiram várias agências de inteligência russas que frequentemente competem umas com as outras.

- Ciberataques e interferências -

A GRU é acusada pelos ocidentais de estar por trás de vários grupos de hackers que realizaram ciberataques contra a Agência Mundial Antidoping, vários meios de comunicação ou o aeroporto de Odessa e o metrô de Kiev, na Ucrânia.

A agência também é suspeita de ser responsável pelo ataque cibernético NotPetya, que afetou centenas de milhares de computadores em todo o mundo em junho de 2017, incluindo os de muitas grandes empresas.

Nos Estados Unidos, a GRU foi acusada de hackear os computadores do Partido Democrata, o que foi um prelúdio para o escândalo da interferência russa na eleição presidencial americana de 2016. Neste caso, 12 russos apresentados como agentes da GRU foram acusados em julho.

- Envenenamento -

A Grã-Bretanha também apontou a GRU como responsável pelo envenenamento com Novitchok do ex-espião russo Serguei Skripal e sua filha Yulia em 4 de março na Inglaterra. Neste caso, emitiu mandados de prisão contra dois supostos agentes da organização.

Sergei Skripal é um ex-coronel da GRU, preso e condenado em 2006 em Moscou por "alta traição" por espionar em favor da Grã-Bretanha, antes de ser trocado em 2010 por espiões russos detidos no Ocidente.

Vladimir Putin assegurou em 2010 que os serviços secretos russos não "se ocupam" de eliminar traidores, porque "traidores morrem por si mesmos".

Mas a GRU já esteve envolvida em operações realizadas no exterior. Em 2004, dois supostos agentes foram condenados no Catar por organizar o assassinato de um líder separatista checheno, mas foram discretamente enviados de volta a Moscou.

- Em todas as guerras -

A presença de "conselheiros" da GRU em guerras foi mencionada por muitos observadores, não apenas em apoio às forças do presidente Bashar al-Assad na Síria, mas também ao lado dos separatistas pró-russos no leste da Ucrânia.

A GRU também teria desempenhado um papel crucial na anexação da península ucraniana da Crimeia pela Rússia em março de 2014, após a intervenção de forças especiais e um referendo não reconhecido pela Ucrânia e pelos ocidentais.

Os agentes e tropas da GRU foram ativamente utilizados nas duas guerras na Chechênia (1994-1996 e 1999-2009), no conflito na Geórgia (agosto de 2008) e na desastrosa guerra soviética no Afeganistão (1979-1989).

A obscura e poderosa empresa militar privada Wagner, que se destacou na Síria e na África Central, foi criada por um ex-oficial da GRU, Dmitri Utkin, que foi condecorado por Vladimir Putin.

pop/nm/ia/eg/mb/mr

* AFP

 

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