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Barcelona01/10/2018 | 19h54

Entre protestos e repressão, Catalunha celebra aniversário do referendo de independência

AFP
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Distúrbios entre militantes separatistas radicais e forças de segurança foram registrados na noite desta segunda-feira em Barcelona, ao fim de uma manifestação para celebrar o primeiro aniversário do referendo de autodeterminação proibido pelo governo espanhol, constataram jornalistas da AFP.

Centenas de manifestantes derrubaram após as 21H00 local (16h00 de Brasília) as barreiras que protegiam a entrada ao parlamento regional, o que causou a intervenção dos policiais regionais.

Alguns militantes radicais, com o rosto coberto, lançaram pedras nos policiais e tentaram fazer barricadas com latas de lixo.

Os manifestantes "tinham a intenção de entrar" no parlamento regional, declarou à AFP uma porta-voz da polícia regional.

"Agora a situação está mais calma porque várias pessoas que estavam concentradas se dispersaram", acrescentou.

Nesta segunda-feira, o referendo de autodeterminação ilegal celebrado nesta região espanhola completou um ano.

Baseando-se nessa votação, promovida pelo então presidente Carles Puigdemont e na qual, segundo seu Executivo, dois milhões de pessoas apostaram na secessão, em 27 de outubro foi proclamada uma república que nunca chegou a ser instaurada.

Um ano depois desse referendo, que foi possível graças à colaboração na clandestinidade de milhares de cidadãos, os grupos mais radicais tentaram pressionar o novo governo, liderado por Quim Torra, que iniciou um tímido diálogo com Madri.

"Hoje faz um ano que votamos na independência (...) Passamos para a ação", lembrou no Twitter a conta dos Comitês de Defesa da República, associações radicais que reivindicam a ruptura imediata com a Espanha.

Pela manhã, suas diferentes associações espalhadas por toda região bloquearam, de surpresa, a linha ferroviária de alta velocidade entre Barcelona e França, diferentes autoestradas e também algumas ruas da capital catalã.

Ao meio-dia, houve uma marcha de universitários, que convocaram uma greve para recordar o referendo. À tarde, aconteceu uma manifestação separatista para reivindicar que "se torne efetivo o desejo da maioria do povo da Catalunha".

"Os CDRs pressionam e fazem bem em pressionar", reagiu o presidente catalão, Quim Torra, de Sant Julià de Ramis, o pequeno povoado onde, há um ano, Puigdemont votaria, mas foi impedido pela chegada da Polícia, que reprimiu os eleitores.

"Temos que agir nas próximas semanas com a mesma determinação" que em 1º de outubro, insistiu, no momento em que a ação de seu governo começa a gerar tensão com os separatistas mais radicais.

Da Bélgica, Puigdemont pareceu se distanciar ligeiramente da estratégia dos novos líderes, que por enquanto deixaram de lado o caminho da desobediência.

"Nós não apoiamos muito com o jogo de espelhos e lantejoulas com que o Estado tenta compensar sua imagem internacional deteriorada (...) Vamos fazer como decidimos há um ano", disse ele em um vídeo postado no Twitter.

No sábado, a Polícia regional atuou fortemente contra uma manifestação separatista que tentava chegar a um ato para homenagear os agentes enviados há um ano por Madri para evitar o referendo.

A votação de 2017 significou um momento de tensão máxima entre Barcelona e Madri, após anos de auge do separatismo nessa região de 7,5 milhões de habitantes, dividida sobre a secessão.

Um ano depois, a tensão diminuiu, especialmente após a chegada ao poder espanhol do socialista Pedro Sánchez, partidário de se buscar uma saída dialogada para a crise catalã.

"Este é um momento em que todos devemos contribuir cada um de seu papel institucional a pedir serenidade e ordem", afirmou em Madri o ministro das Relações Exteriores, Josep Borrell.

"Este governo abriu uma via política, abriu uma interlocução com as autoridades catalães, e essa interlocução com as autoridades catalães está dando resultados", disse a porta-voz do governo, Isabel Celáa.

As reuniões entre ambos os Executivos são frequentes, mas permanece um obstáculo até agora sem solução: os separatistas exigem um referendo de autodeterminação vinculante que não está nas considerações de Sánchez, com um exíguo apoio no Congresso espanhol.

* AFP

 

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