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Washington03/10/2018 | 15h24

Além da guerra comercial, sobe a tensão militar entre EUA e China

AFP
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A disputa comercial entre China e Estados Unidos está se espalhando cada vez mais para o domínio militar, com um incidente de risco no Mar da China Meridional que destaca os perigos de tornar as relações bilaterais ainda mais tensas.

No que a Armada americana chamou de um encontro "inseguro e pouco profissional", um navio de guerra chinês navegou a apenas 41 metros de um destróier dos Estados Unidos enquanto passava pelas áreas reivindicadas pelos chineses no Mar da China Meridional, o que obrigou a embarcação americana a fazer uma manobra evasiva.

O incidente encerrou dias de movimentos militares desde que o presidente Donald Trump intensificou a sua guerra comercial com a China.

"O encontro entre o destróier chinês e o 'USS Decatur' foi o mais próximo registrado até agora", disse à AFP Timothy Heath, analista de pesquisa de defesa nacional da RAND Corporation.

"Refletiu em parte as crescentes tensões entre Estados Unidos e China, mas também parece refletir uma crescente disposição por parte de Pequim de testar os americanos no Mar da China Meridional", acrescentou.

Pequim reagiu furiosamente depois do incidente, dizendo que essa operação de "liberdade de navegação" dos Estados Unidos ameaçava a soberania e segurança da China e era daninha às relações militares entre as duas potências.

O encontro dos navios seguiu uma série de outros incidentes militares entre efetivos de ambos os países.

Na semana passada, os planos para uma reunião em Pequim entre o secretário de Defesa americano, Jim Mattis, e seu homólogo chinês, o general Wei Fenghe, fracassaram após a China se negar a concretizar o encontro.

Dias antes, a China rejeitou uma visita ao porto de Hong Kong de um navio de guerra americano e cancelou uma reunião entre o chefe da Marinha chinesa e seu contraparte americano.

Tudo isso aconteceu na época em que bombardeiros B-52 dos EUA participaram de uma operação conjunta com o Japão sobre o Mar da China Oriental e voaram pelo espaço aéreo internacional sobre o Mar da China Meridional.

O Ministério da Defesa chinês denunciou esses sobrevoos como ações "provocadoras".

Mattis reconheceu esta semana "pontos de tensão" entre Estados Unidos e China, mas disse aos repórteres que "o vê piorando".

- Código de conduta -

Os militares americanos e chineses acordaram em 2014 um código de conduta para encontros não planejados no mar com o objetivo de ajudar as duas Marinhas a evitar contratempos.

Não estava claro se a manobra de domingo foi feita a pedido de Pequim, ou se foi iniciada por decisão do capitão do navio chinês, mas as motivações políticas provavelmente foram um fator para forçar um contato próximo.

"Com as tensões elevadas, a China parece motivada a se arriscar a uma possível colisão como meio de intimidação. Existe um risco real de erro de cálculo", disse Heath.

A guerra comercial de Trump enfureceu Pequim, assim como a sua autorização de uma venda de armas por 1,3 bilhão de dólares a Taiwan, território que a China considera uma província rebelde.

Na semana passada, Washington promulgou novas tarifas contra importações provenientes da China que abarcam outros 200 bilhões de dólares.

E, além disso, a administração Trump impôs sanções à China por sua recente compra da Rússia de aviões de combate Sukhoi Su-35 e de sistemas de mísseis terra-ar S-400.

- Encontros anteriores -

As relações militares entre Estados Unidos e China já haviam ficado tensas anteriormente.

As trocas militares entre os dois países, incluindo as ligações aos portos, foram temporariamente suspensas após uma colisão no ar entre um avião espião americano EP-3 e um caça chinês em 2001 na costa sul da China, provocando uma grande tensão diplomática.

O piloto do caça chinês morreu na colisão e o EP-3 se viu obrigado a fazer um pouso de emergência na ilha chinesa de Hainan, com a tripulação detida durante 11 dias.

É provável que as atuais tensões militares persistam, declarou Bonnie Glaser, assessora principal do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, já que se ajustam aos objetivos políticos de Trump.

Na semana passada, Trump acusou Pequim de querer interferir nas próximas eleições nos Estados Unidos.

"Isso parece uma estratégia do presidente", afirmou Glaser à AFP. "Apenas quer redobrar a pressão sobre a China tanto quanto for possível", explicou.

Ao observar que tais ações violavam as regras estabelecidas, Glaser acrescentou que o último contato naval registrado no Mar da China Meridional representou um "nível diferente de interferência" em uma operação de livre navegação dos EUA.

* AFP

 

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