Aung San Suu Kyi defende prisão de jornalistas da Reuters - Mundo - A Notícia

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Hanói13/09/2018 | 09h25

Aung San Suu Kyi defende prisão de jornalistas da Reuters

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A dirigente birmanesa Aung San Suu Kyi defendeu nesta quinta-feira a prisão de dois jornalistas da agência Reuters condenados a sete anos por investigar o massacre dos muçulmanos rohingyas pelo Exército de Myanmar, rompendo seu silêncio sobre o caso.

"Não foram julgados por serem jornalistas, mas por terem infringido a lei", declarou Kyi durante o Foro Econômico Mundial da Associação das Nações do Sudeste Asiático, em Hanói.

"Se você acredita no Estado de direito, eles [os jornalistas] têm todo o direito de recorrer da sentença", acrescentou a líder da fato de Myanmar, onde a independência do sistema judicial levanta dúvidas.

A prêmio Nobel da Paz foi alvo de muitas críticas no exterior por calar sobre este caso. Um funcionário de alto escalão da ONU a chamou, inclusive, de "porta-voz dos militares".

A justiça de Myanmar condenou a sete anos de prisão os jornalistas Wa Lone, de 32 anos, e Kyaw Soe Oo, 28, por violação da lei sobre segredos de Estado.

Aung San Suu Kyi admitiu que o Exército birmanês poderia ter "administrado melhor" a crise dos rohingyas, que provocou o êxodo para Bangladesh de 700 mil membros desta minoria muçulmana.

"A situação poderia ter sido melhor administrada", declarou Kyi à margem do Foro Econômico de Hanói, comentando as acusações de "genocídio" formuladas contra o Exército birmanês por investigadores da ONU no final de agosto.

A crise provocou o êxodo de 700 mil membros da minoria muçulmana para o vizinho Bangladesh.

- Bloqueio do governo -

Depois de meses de bloqueio pelo governo birmanês, funcionários da ONU iniciaram uma missão em Mianmar para estudar as condições de um possível retorno das centenas de milhares de rohingyas que fugiram do país.

Investigadores da ONU pediram em agosto que o chefe do exército birmanês e cinco oficiais militares de alta patente fossem julgados, e o Tribunal Penal Internacional declarou-se competente para investigar alguns crimes cometidos.

O relatório dos especialistas da ONU também lamenta que Aung San Suu Kyi não tenha usado sua "autoridade moral" para tentar pôr fim às atrocidades cometidas contra os rohingyas.

Mianmar e Bangladesh assinaram um acordo de repatriação no final de 2017, mas isso ainda não foi implementado, e ambos os países se culparam pelo atraso em sua execução.

Os refugiados rohingyas se recusam, por sua parte, a regressar ao seu país de origem até que a sua segurança e direitos estejam garantidos.

O relatório completo dos investigadores da ONU será publicado em 18 de setembro, e Mianmar será o tema principal da próxima Assembleia Geral da ONU.

* AFP

 

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