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San Francisco12/09/2018 | 22h55

Atores não estatais tomam as rédeas para salvar o clima

AFP
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Milhares de delegados não governamentais estão reunidos em San Francisco nesta quarta-feira (12) para mostrar que as cidades e as regiões podem compensar o atraso dos estados na luta contra as mudanças climáticas, especialmente nos Estados Unidos após as políticas retrógradas anunciadas por Donald Trump.

A Cúpula Mundial de Ação Climática, a primeira de seu tipo com mais de 4.000 delegados, começou em San Francisco (costa oeste) com a publicação de um relatório sobre as emissões de gases de efeito estufa nos Estados Unidos.

O estudo mostra que o país cumprirá apenas dois terços do objetivo estabelecido por Barack Obama, e abandonado por Donald Trump após assumir o cargo no início de 2017, ou -17% de emissões em 2025 em comparação com 2005, contra um objetivo original de ao menos -26%. O país está hoje em -12%.

Mas o relatório aponta que muitos estados dos Estados Unidos, principalmente os que são governados por democratas, e centenas de cidades intensificaram seus compromissos de "descarbonizar" suas economias desde o anúncio de Trump de que retiraria os EUA do Acordo de Paris sobre o clima, e conseguiram efeitos reais.

Em comparação, a China hoje emite pouco menos do dobro de gases de efeito estufa que os Estados Unidos, e deveria continuar reduzindo-os cada vez mais ao longo da década de 2020, até alcançar um ponto de inflexão em 2030.

A União Europeia estabeleceu um objetivo de redução de gases de efeito estufa mais ambicioso que os Estados Unidos, e cumpriu mais. Tomando os mesmos anos de referência, as emissões europeias caíram 21% em comparação com 2005, e deveriam seguir diminuindo até chegar a 28% em 2025, segundo a empresa Climate Action Tracker.

O objetivo europeu original para o Acordo de Paris foi reduzir 40% de 1990 até 2030.

A energia "limpa" teve um aumento significativo nos Estados Unidos, o carvão está diminuindo e a indústria dos carros elétricos cresce apesar da hostilidade do governo Trump em relação à transição ecológica.

Se todos os atores não federais, não apenas cidades e estados "ecológicos", intensificassem esta dinâmica, "poderíamos nos aproximar muito da meta estabelecida pelas Nações Unidas", afirmou Mary Nichols, copresidente da America's Pledge, a coalizão que fez o relatório.

- Grande delegação chinesa -

As cidades de Paris, Bonn, Pequim, Cidade do Cabo, Dubai, Tóquio, Cidade do México, assim como outras latino-americanas e indianas, estão representadas na cúpula em diversos níveis, incluindo dezenas de prefeitos.

Também há chefes de multinacionais que estão na vanguarda da transição ecológica e que se comprometeram a gerar, em alguns anos, energia elétrica 100% limpa.

Representantes de diversas regiões e estados também estão presentes. Mais de 70 emissários de governos regionais e de ministros se reuniram nesta quarta-feira de manhã, na maior reunião desse tipo já convocada, segundo os organizadores da Coalizão "Under2" ("Abaixo de 2°C"): ministros brasileiros e indianos, governadores indonésios e mexicanos, um secretário de Estado japonês, delegados regionais espanhóis, italianos, alemães...

Cada vez mais jurisdições mundiais se unem a estes esforços, como fez recentemente a província de Chungnam, da Coreia do Sul. "Somos os primeiros na Coreia a nos unirmos à coalizão", disse seu vice-governador, Nam-gung Young.

"Este tipo de cúpula precipita os eventos" e atrai "a atenção limitada dos líderes políticos", estima Frances Seymour, da ONG World Resources Institute.

A China enviou uma delegação de 120 pessoas, incluindo Xie Zhenhua, seu negociador sobre o clima.

Canadá e Reino Unido estão representados em nível ministerial, a França por Segolene Royal, embaixadora dos polos, e a União Europeia por um grande número de comissários.

Dezenas de cidades, províncias, estados e multinacionais defendem o uso exclusivo de energias limpas - especialmente solar e eólica - em poucas décadas.

À frente deste grupo surge o estado da Califórnia, cujo governador Jerry Brown firmou na segunda-feira uma lei que prevê a eliminação dos gases de efeito estufa em sua geração de energia até 2045.

"Todos têm a oportunidade e a obrigação de fazer a sua parte para combater a mudança climática", disse Brown à AFP.

O encontro começa em um momento em que o furacão Florence ameaça a costa leste do país e depois de um verão muito quente na Europa, eventos meteorológicos raros mas cuja frequência aumentará, segundo os especialistas, devido às mudanças climáticas.

O mundo continua lançando na atmosfera gases de efeito estufa demais para limitar o aumento médio da temperatura global abaixo de 2°C em relação ao período pré-industrial, que é o objetivo do Acordo de Paris.

A Terra já aqueceu cerca de 1°C e, se esse ritmo for mantido, o aumento chegará a +3,2°C em 2100.

* AFP

 

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