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Mariestad08/08/2018 | 17h11

Presos são preparados na Suécia para sua reinserção social

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São seis horas da manhã e Alfred já está ordenhando as vacas, um trabalho que realiza cinco dias por semana. Mas ele não é um fazendeiro comum, e sim detento de uma prisão sueca que está sendo preparado para sua reinserção social.

O quinquagenário se encontra a cada amanhecer com seu colega de ordenha, Sofian (os nomes foram modificados), para duas horas e meia de trabalho matutino.

A dupla tem a seu cargo cerca de 20 cabeças das 53 que integram a vacada. Manhã e noite, a mecânica é a mesma e o gesto, decidido.

"Limpo [as tetas] para evitar as bactérias e depois as desinfeto", explica Alfred.

Preso por porte de armas desde abril no centro penitenciário de Mariestad, no sudoeste da Suécia, este pai e avô com os braços cobertos de tatuagens não esconde o prazer que lhe causa estar em contato com os animais.

"Amo-os [...] Este trabalho me oferece algo", afirma.

Neste estabelecimento penitenciário, Rödjan, a mais antiga das três prisões que há na Suécia, 60 detidos se encarregam da granja biológica: regam as flores, repintam as cercas, cortam a grama e cuidam do gado.

- Presos em liberdade -

A Suécia é um dos países com menos presos do mundo, com 0,5 detido por cada 1.000 habitantes.

Além disso, o país escandinavo busca fórmulas para evitar a prisão, como testar a liberdade condicional durante alguns meses, o uso generalizado da tornozeleira eletrônica, a condenação a trabalhos comunitários e a sistematização da liberdade condicional após o cumprimento de dois terços da pena.

Também investe muito em reinserção através do ensino do idioma e da formação profissional.

"É nossa forma de reintegrar as pessoas na sociedade da melhor maneira possível, para que não voltem" à prisão, explica Britt-Marie Johansson, responsável do estabelecimento.

A taxa de reincidência na Suécia é de 30%.

O centro de Rödjan, de categoria 3, faz parte dos estabelecimentos com um nível de segurança "fraco" (as categorias 1 e 2 correspondem aos níveis "elevado" e "médio").

Não há câmeras, nem barreiras, nem arame farpado, e os presos podem se deslocar livremente. Eles são "contados a cada manhã, durante o dia e à noite, sabemos onde estão em cada momento", conta Johansson.

"Se fazem algo ruim, são enviados a um centro de nível de segurança mais alto", acrescenta.

- "Trabalho incrivelmente bom" -

Os detentos trabalham 35 horas por semana, pagas com 13 coroas a hora (1,2 euro; 1,5 dólar) e têm dois dias de descanso por semana.

Alfred admite que em seus dias livres muitas vezes vai ao estábulo "para comprovar que tudo corre bem".

Se os presos "sabem que [há vacas que] vão parir, mesmo que estejam em seu descanso, podem ligar e perguntar 'Como foi? Tudo bem com o vitelo?'", conta Johansson, o responsável.

Michael Henningsohn, encarregado de produção, comemora o envolvimento dos presos.

"Muitos deles fazem um trabalho incrivelmente bom, tendo em conta que nunca tinham trabalhado nesta área", reconhece com um tímido sorriso de orgulho. "É fascinante ver sua atitude" após apenas alguns dias de formação.

Em 2012, a exploração recebeu uma recompensa das mãos do rei Carlos XVI pela qualidade de seu leite.

A chave do sucesso reside na rotina imposta pelo entorno. "Os caras sabem segui-la", explica Michael.

No entanto, Alfred não se vê no meio agrícola no futuro, depois de ter vivido rodeado de vacas na granja de seus avós.

"Vi como aconteceu com eles, é duro demais", explica.

* AFP

 
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