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Teerã08/08/2018 | 14h06

Para iranianos, pior impacto das sanções ainda está por vir

AFP
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Se o governo de Donald Trump esperava um impacto imediato de suas sanções sobre a economia, o poder, ou as ruas do Irã, sua hipótese não se cumpriu. Analistas avaliam que os piores efeitos virão em novembro, com a ampliação das medidas.

O presidente americano descreveu as novas sanções como "as mais duras" já impostas contra o Irã, a fim de pressionar o governo, mas isso é um exagero. Washington apenas restabeleceu as medidas punitivas que vigoraram antes do acordo sobre o programa nuclear de 2015, abandonado em maio.

O conselheiro de segurança nacional de Trump, John Bolton, avaliou que os líderes do Irã estavam em um terreno incerto com os protestos no país nos últimos dias, a inflação e a falta de reformas políticas.

Embora haja grande preocupação no Irã com o estado da economia e medo pelo futuro, o retorno das sanções foi recebido com relativa calma.

É provável que o uso das forças de segurança e o bloqueio parcial da rede de telefonia móvel e de Internet tenham contribuído para acalmar as críticas. É praticamente impossível saber qual é a situação fora de Teerã com as restrições impostas à imprensa.

Conversas em redes sociais, contudo, apontam para um arrefecimento dos protestos. Analistas avaliam que a hipótese de que as dificuldades econômicas do país alavancariam uma revolução caiu por terra.

"Observadores ocidentais se enganam ao estimar que, porque houve manifestações locais, isso significa que há uma rejeição geral à República Islâmica", escreveu em uma análise Henry Rome, do Eurasia Group.

"Apesar de ter havido mais manifestações públicas, o regime ainda não enfrenta uma ameaça à sua existência. As forças de segurança são brutais, eficientes e leais", completou.

- Boas notícias -

Nesta semana, boas notícias econômicas favoreceram o rial, que se valorizou 20% desde domingo, devido às novas políticas cambiais anunciadas pelo governo.

Isso dá a impressão de que os problemas do Irã se devem tanto a uma situação interna, quanto à pressão dos Estados Unidos.

A retórica agressiva de Trump certamente alimentou a corrida cambial contra o rial, que efetivamente perdeu metade de seu valor desde abril. Mas isso também é resultado da decisão iraniana de estabelecer uma taxa de câmbio fixa e fechar as casas de câmbio, favorecendo assim o mercado negro, políticas que o governo iraniano finalmente reverteu.

"O governo foi lento para tomar a decisão, mas vai na direção certa", disse Mohamad Reza Najafi Manesh, chefe da comissão de negócios da Câmara de Comércio de Teerã.

Manesh afirmou que as sanções são um problema secundário diante das dificuldades internas no Irã e que sua instituição estava reunida nesta quarta-feira com o governo para obter mais medidas de apoio, tais como subsídios para a importação de matérias-primas.

"Esta não é a primeira vez que lidamos com sanções", completou ele.

- Segunda onda -

As sanções já têm efeitos reais. Importantes empresas europeias, como a Total, a Siemens, ou a Peugeot, retiraram-se do país antes que seus investimentos rendessem frutos.

Os Estados Unidos já anunciaram para 5 de novembro uma segunda rodada de sanções em relação ao setor petrolífero, vital para o Irã, além de transportes marítimos e transações financeiras.

"Em novembro, se sentirá o golpe: boa parte das receitas das exportações de petróleo vai evaporar, e os bancos iranianos vão acabar ficando isolados de grande parte do sistema bancário internacional", disse Rome.

O Eurasia Group estima que o Irã deixará de vender 700 mil barris de petróleo por dia.

Muitos duvidam de que o presidente Hassan Rohani possa responder com eficácia, já que não conseguiu resolver muitos problemas que o país vem sofrendo há algum tempo, como o desemprego, a corrupção e seu sistema bancário.

"O grupo econômico da equipe Rohani é o elo mais fraco do seu governo. Todo mundo sabe disso, mas ele nunca mudou sua equipe, porque são seus aliados", disse o ex-chefe da Câmara de Comércio Mohamad Reza Behzadian.

- Apoio oriental -

Enquanto muitos se concentram, porém, nos esforços da União Europeia (UE) para resistir às sanções dos Estados Unidos, as decisões mais cruciais provavelmente serão tomadas em outro lugar.

Dados compilados pelo economista Faezeh Forutan e publicados pelo analista James Dorsey mostram que 25,6% das importações do Irã vêm da China, e a República Islâmica destina a esse país 19,7% de suas exportações desde março - mais do que a todos os países da UE.

China, Índia e Turquia já anunciaram que não interromperiam suas compras de petróleo do Irã.

Teerã espera que Trump não receba o apoio internacional que seu antecessor Barack Obama tinha para efetivar as sanções.

"Há uma grande diferença desta vez: antes, ninguém apoiava o Irã. Agora, todos os países do mundo o apoiam", disse nesta quarta-feira o chanceler iraniano, Mohamad Javad Zarif.

* AFP

 

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