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Gaza10/08/2018 | 16h05

Disparos israelenses matam dois palestinos em Gaza, apesar da trégua

AFP
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Dois palestinos morreram nesta sexta-feira (10) na Faixa de Gaza, atingidos por disparos de soldados israelenses durante manifestações e enfrentamentos na fronteira, apesar da frágil trégua acordada entre o Hamas e Israel.

Os protestos desta sexta são considerados uma prova das intenções do movimento islamita Hamas, que dirige a Faixa de Gaza, e de seus aliados palestinos, depois de uma volta da escalada da violência na véspera.

Dois mil palestinos protestaram e queimaram pneus ao leste da cidade de Gaza, constatou um jornalista da AFP. Junto com outras três concentrações em pontos diferentes da fronteira, no total deslocaram-se alguns milhares de pessoas, menos que durante outras mobilizações anteriores, nas quais se concentraram dezenas de milhares de moradores de Gaza.

Os confrontos com os soldados israelenses na hermética cerca de segurança foram igualmente limitados, mas dois palestinos morreram atingidos por disparos israelenses.

Um socorrista de uns 20 anos, Abdallah al Qatati, faleceu após ter sido atingido no peito ao leste de Rafah, sul da Faixa de Gaza, em circunstâncias não esclarecidas. Trata-se do segundo socorrista morto por disparos israelenses desde 30 de março.

Um segundo palestino, Ali al Alul, de 55 anos, também morreu no mesmo setor, atingido por disparos israelenses.

O ministério da Saúde local divulgou um balanço de 40 feridos por fogo israelense ao longo da fronteira.

Desde 30 de março, a fronteira é o cenário de uma mobilização contra o bloqueio imposto por Israel à Faixa de Gaza há mais de dez anos e pelo retorno dos palestinos expulsos ou que fugiram de suas terras com a criação de Israel, em 1948.

Desde então, as tensões em Gaza não pararam de aumentar, o que faz temer uma quarta guerra entre Israel e Hamas desde 2008.

Os soldados israelenses mataram pelo menos 166 palestinos de Gaza desde então. Um soldado israelense morreu em 20 de julho, o primeiro desde 2014.

- Exigências e pressões -

O enclave palestino, situado entre Israel, Egito e o Mediterrâneo, onde dois milhões de pessoas enfrentam o bloqueio e a pobreza, viveu nesta quarta e quinta-feira um dos confrontos mais graves desde a guerra de 2014.

Mais de 180 foguetes e obuses de morteiro foram disparados da Faixa de Gaza para Israel, provocando vários feridos e empurrando os israelenses para os abrigos.

A Força Aérea israelense respondeu bombardeando 150 posições militares do Hamas, o movimento islamita que controla a Faixa de Gaza.

Três palestinos, entre eles uma grávida de 23 anos e sua filha de 18 meses, morreram nestes ataques.

Trata-se do terceiro teste de forças significativo desde julho.

Israel e Hamas aceitaram na noite de quinta-feira um cessar-fogo nas negociações indiretas com a mediação do Egito e das Nações Unidas, informou uma fonte próxima às negociações. Nem Israel, nem o Hamas deram nenhuma confirmação oficial. Mas a noite e a manhã transcorreram em calma.

O estado de emergência continua elevado, e a ONU e o Egito trabalham por um cessar-fogo duradouro.

Gaza e Israel estão "perigosamente perto" de um novo conflito, advertiu nesta sexta-feira a União Europeia.

Nem Israel, nem o Hamas parecem querer a guerra. O jornal israelense Maariv assegurou que durante a reunião do gabinete de segurança, na quinta-feira, o ministro da Defesa, Abigdor Lieberman, foi o único a reivindicar uma operação importante em Gaza, opondo-se, assim, à opinião do premiê, Benjamin Netanyahu, e dos militares.

O resultado dos esforços diplomáticos da ONU e do Egito continua sendo, levando-se em conta as exigências dos dois lados e suas respectivas pressões.

Segundo uma pesquisa publicada nesta sexta pelo Maariv, 64% dos israelenses não estão satisfeitos com a atuação de Netanyahu com relação ao Hamas, contra 29% favoráveis. Quarenta e oito por cento das pessoas consultadas são favoráveis a uma operação militar de envergadura em Gaza, e 41% se dizem contrárias a esta opção.

* AFP

 

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