Ortega mobiliza partidários e violência cresce em meio à greve na Nicarágua - Mundo - A Notícia

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Managua14/07/2018 | 00h43

Ortega mobiliza partidários e violência cresce em meio à greve na Nicarágua

AFP
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Confrontos entre partidários e opositores ao governo da Nicarágua deixaram dois mortos e dezenas de feridos nesta sexta-feira, quando o país foi paralisado por uma greve geral decretada para exigir a saída do presidente Daniel Ortega.

As duas mortes - de um policial e um civil - ocorreram no bairro de Monimbó, no sul da cidade de Masaya, "atacada com armas de grosso calibre" por forças ligadas ao Ortega, denunciou Álvaro Leiva, da Associação Nicaraguense dos Direitos Humanos (ANPDH).

"Houve bastante resistência, responderam com bombas e morteiros (artesanais). Temos um caído do povo e um policial que morreu no ataque", disse à AFP um líder opositor em Monimbó por telefone.

Em Manágua, policiais e paramilitares mantinham sitiada a Igreja da Divina Misericórdia, onde estão refugiados dezenas de estudantes que ocupavam a Universidade Nacional Autônoma da Nicarágua (UNAN), alvo da repressão das forças governistas.

Segundo um médico no local, ao menos 15 jovens estão feridos.

"Por favor, nos ajudem. Estamos sós" - pediram os estudantes na UNAN em vários vídeos nas redes sociais, em meio a tiros.

"Vieram todos com armas de fogo, vieram para matar", disse à imprensa um jovem na Igreja da Divina Misericórdia, nas proximidades da UNAN.

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, pediu às autoridades que permitam o acesso à UNAN de especialistas da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

"É urgente que parem imediatamente os ataques que neste momento acontecem em Monimbó, Masaya, e contra estudantes da UNAN e na Igreja da Divina Misericórdia", escreveu no Twitter o gabinete do Alto Comissariado nas Nações Unidas.

Ambas as ações acontecem em meio à escalada da violência que já deixou mais de 270 mortos e 2.000 feridos em três meses de protestos contra o governo.

- Greve paralisa o país -

Esta segunda greve geral de 24 horas começou na madrugada de sexta, à 0h00 local (3h no horário de Brasília), convocada pela Aliança Cívica para a Democracia e a Justiça, coalizão da oposição que inclui setores da sociedade civil. Um primeiro movimento social idêntico bloqueou o país em 14 de junho.

"Esvaziamos as ruas para mostrar que não queremos mais repressão e que queremos que eles vão embora", lançou a oposição no início da mobilização, referindo-se ao casal presidencial Daniel Ortega e Rosario Murillo, que além de primeira-dama também é vice-presidente.

Segundo a oposição, a greve tem 90% de adesão, mas a mídia estatal indica normalidade em algumas zonas de comércio. No Mercado Oriental, o maior - de aproximadamente 20.000 estabelecimentos -, está escuro e praticamente fechado.

A greve geral faz parte de uma série de ações de três dias lançada pelo campo anti-Ortega para reforçar a pressão sobre o governo.

Em meio à paralisação, apoiadores de Ortega partiram de Manágua a bordo de centenas de veículos e motocicletas, balançando bandeiras rubro-negras da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN, esquerda), em direção a Masaya, 30 km ao sul.

Diante da delegacia de Masaya, Ortega discursou para "convidar todos os que têm diferentes pensamentos políticos e ideológicos, a todos os produtores, camponeses, à pequena, média e grande empresas, a todos, para que tomem o caminho da paz, o único capaz de nos dar tranquilidade".

Segundo Ortega, "há um grupo de nicaraguenses que não quer a paz e a reconciliação, que leva o veneno do ódio (...), mas o governo está avançando para recuperar a paz".

Na véspera, um mar azul e branco - as cores da Nicarágua - invadiu as ruas da capital e de outras cidades. Confrontos durante uma marcha a Morrito, no sudeste do país, deixaram cinco mortos: quatro policiais e um manifestante.

A polícia prendeu nesta sexta o líder camponês Medardo Mairena, um dos delegados opositores no diálogo com governo, acusado por essas mortes do sudeste do país.

"Foi capturado o terrorista Medardo Mairena quando pretendia fugir do país (...) Ele é o responsável direto pelo massacre e assassinato por quatro companheiros policiais e o professor de escola primária" na quinta-feira, anunciou a chefe de relações públicas da Polícia Nacional, Vilma Rosa González.

- Sete países da OEA pedem eleições antecipadas -

Em reunião nesta sexta-feira, em Washington, sete países da Organização dos Estados Americanos (OEA) apresentaram um projeto de resolução que exorta Ortega a fortalecer as instituições democráticas e a apoiar as eleições antecipadas propostas pela oposição.

Argentina, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Peru e Estados Unidos revelaram a iniciativa durante sessão do Conselho Permanente da OEA, que reúne os 34 países membros ativos do organismo.

O texto, que deverá ser analisado nos próximos dias, precisa de 18 votos para ser aprovado.

"Esta resolução pede um calendário eleitoral para que possam acertar na Nicarágua os temas para uma possível eleição", disse à imprensa a embaixadora argentina, Paula María Bertol, que leu o texto durante a sessão do Conselho Permanente.

"A Carta da OEA fala em não ingerência, mas também em conservar a paz e a democracia no continente".

O projeto de resolução reafirma a "enérgica condenação" e a "grave preocupação" com a violência documentada pela Comissão Interamericana dos Direitos Humanos (CIDH), que na quarta-feira assinalou o agravamento da repressão aos manifestantes.

A Igreja Católica, mediadora do diálogo, propôs antecipar as eleições de 2021 para 2019, o que foi rejeitado por Ortega.

Os adversários de Ortega pedem justiça, eleições antecipadas, ou a saída do presidente, acusado de repressão durante os protestos e de ter instaurado, com sua mulher, uma "ditadura" marcada pela corrupção e pelo nepotismo.

O país mais pobre da América Central registra manifestações de amplitude histórica contra Daniel Ortega, ex-guerrilheiro de 72 anos. Ortega está no poder desde 2007, depois de uma passagem de 1979 a 1990. Segundo a Comissão Interamericana dos Direitos Humanos (CIDH), pelo menos 264 pessoas morreram desde 18 de abril.

* AFP

 

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