Mal-estar na Guarda Costeira italiana por linha dura contra migração - Mundo - A Notícia

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Roma20/07/2018 | 09h03

Mal-estar na Guarda Costeira italiana por linha dura contra migração

AFP
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A firmeza demonstrada pelo governo populista da Itália diante dos migrantes tem gerado um mal-estar na Guarda Costeira, que começa a vir à tona apesar do dever da discrição militar.

A renomada instituição responsável pela segurança no mar coordenou durante anos o resgate de centenas de milhares de migrantes ao longo da costa da Líbia, muitas vezes em condições difíceis. A tarefa conquistou o respeito e a admiração entre seus compatriotas.

Desde junho, porém, a Guarda Costeira deve enviar de volta a Trípoli os pedidos de socorro e avisos de embarcações em perigo.

Na semana passada, um almirante da Guarda Costeira, sob anonimato, rebelou-se contra essa política do governo italiano.

Em entrevista ao jornal econômico "Il Sole 24 Ore", o militar lembrou que, de acordo com a Justiça italiana, a Líbia não pode ser considerada um porto seguro para devolver os migrantes, conforme exigido pela Convenção de Hamburgo para o desembarque de pessoas resgatadas no mar.

O fechamento dos portos italianos para os navios carregados de migrantes, ordenado pelo ministro do Interior de extrema-direita Matteo Salvini, também foi criticado pelo almirante.

Na quarta-feira à noite, data do 153º aniversário da fundação da Guarda Costeira, o comandante da instituição, o almirante Giovanni Pettorino, recordou sua gloriosa história e mencionou os heróis que deram suas vidas para salvar pessoas no mar.

"Somos marinheiros, navegadores italianos com 2.000 anos de história", disse ele, acrescentando que não deixariam de socorrer no mar nem o pior inimigo.

Um princípio e uma prioridade que estavam dispostos a respeitar em 13 de julho, apesar das ordens do governo para não intervir diante dos 450 migrantes a bordo de uma embarcação à espera da resposta de Malta, perto das águas italianas.

- 'Impotência' -

O desconforto é tal que um grupo de oficiais admitiu ao jornal católico "Avvenire" e à rádio Radicale, sob condição de anonimato, que se sentiam "impotentes" diante dessa nova situação.

Na semana passada, tiveram de esperar que seis países europeus concordassem em receber grupos de 50 migrantes para desembarcar alguns deles, depois de passarem 48 horas em dois navios militares atracados em um cais.

Mais de 2.000 militares, dos 13.000 da Guarda Costeira, têm trabalhado nos últimos anos ao largo da costa da Líbia.

Embora o número de embarcações carregadas de migrantes tenha diminuído em junho, o total de mortos e desaparecidos no Mediterrâneo subiu para 564, entre os mais altos, de acordo com a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

Os italianos apoiam Salvini, de acordo com várias pesquisas que calculam que dois terços aprovam a decisão de fechar as portas aos barcos com migrantes.

A Igreja Católica continua levantando sua voz em favor de uma política de acolhida.

Após a descoberta terrível na terça-feira de uma náufraga que estava agarrada aos destroços de um barco com dois cadáveres, a Conferência Episcopal Italiana voltou a pedir uma política mais humana.

"Não podemos nos acostumar com esta tragédia (...) Não temos a intenção de oferecer soluções baratas, mas (...) alertamos inequivocamente que, para salvar a humanidade da vulgaridade e da barbárie, devemos proteger a vida. Todas as vidas. Especialmente aquelas humilhadas e pisoteadas", escreveram em um comunicado oficial.

* AFP

 

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