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Paris12/07/2018 | 16h08

História das 'fake news' antes da era Trump

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Em letras garrafais e com ponto de exclamação: "FAKE NEWS!". É assim que Donald Trump recorre a essa expressão usada em mais de 200 tuítes para apontar uma notícia rejeitada por ele e rotular os veículos de comunicação, os quais batizou de "Fake News Media".

Originalmente, "fake news" designa uma "notícia falsa lançada propositadamente na imprensa", segundo o especialista francês em boatos Pascal Froissart, da Universidade de Paris VIII.

Muito antes de o 45º presidente dos Estados Unidos chegar ao poder e da emergência das redes sociais, as "notícias falsas" já existiam com diferentes denominações: anedotas, farsas, ou desinformação.

- Anedotas bizantinas -

O historiador americano Robert Darnton, da Universidade de Havard, vê nas "Anedotas" do cronista bizantino do século VI Procópio de Cesárea os antecedentes das "fake news".

Esses escritos secretos ("anedota" significa "coisas inéditas"), descobertos após a morte de quem redigiu a história oficial do imperador Justiniano, contêm "informações duvidosas" sobre os escandalosos bastidores de seu reino.

- Farsas faraônicas -

O pesquisador do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas (Iris) François-Bernard Huyghe remonta aos tempos dos faraós para encontrar os primeiros indícios de desinformação.

A "vitória" das tropas de Ramsés II frente aos hititas na batalha de Qadesh no ano 1274 antes da nossa era, celebrada em obras em baixo-relevo e textos egípcios, foi, na realidade, uma "semiderrota". O êxito foi, sobretudo, "propagandístico, dos escultores e dos escribas", explica o pesquisador.

- Libelos 'meio certos' -

Os libelos eram textos curtos, satíricos, ou polêmicos, que misturavam abertamente o verdadeiro com o falso no século XVIII. Podem ser considerados "uma forma antiga de fake news", segundo o historiador americano Robert Zaretsky, da Universidade de Houston.

Um libelo de 1771 sobre as "Anedotas escandalosas da Corte da França" começava com esta advertência: "Devo prevenir o Público de que algumas das notícias [...] são das mais verossímeis", e outras, de uma "evidente falsidade".

- 'Canards' e farsas -

Na mesma época, surgiram os "canards", populares páginas vendidas na rua a plenos pulmões na França, que descreviam eventos imaginários, como a captura de um monstro quimérico no Chile em 1780.

No século XIX, aparecem na imprensa americana os "hoax", farsas por meio das quais se buscava vender exemplares. Em 1874, o "New York Herald" descreveu a sangrenta fuga de animais selvagens do zoo do Central Park. A matéria terminava dizendo: "Evidentemente, a totalidade da história anterior é pura invenção".

- Falsificação de notícias -

O termo "fake news" teria aparecido nos Estados Unidos no final do século XIX, época do desenvolvimento de uma imprensa diária baseada na "escrita do real", em oposição à escrita fantasiosa e aproximativa dos "canards", segundo a historiadora francesa Anne-Claude Ambroise-Rendu (Universidade de Versalhes Saint-Quentin-en-Yvelines).

A palavra inglesa "fake" significa "imitação", ou "falsificação". "Fake news" não é, portanto, uma "notícia falsa" propriamente dita, mas uma "notícia falsificada" por oposição às verdadeiras notícias da imprensa séria.

- Operação "Infektion" -

Nascida durante a Guerra Fria, a desinformação designa a "propagação deliberada de informações falsas para influenciar uma opinião e enfraquecer o adversário" - neste caso, o campo ocidental, segundo François-Bernard Huyghe.

Um caso emblemático foi a Operação "Infektion", elaborada pela então KGB e que começou com a publicação, em 1983, de uma matéria em um jornal indiano. A notícia tentava fazer crer que o vírus da aids era uma biológica fabricada pelos laboratórios militares americanos.

- Arrastados por um falso massacre -

No final de 1989, o poder de Nicolae Ceausescu na Romênia vacilava. Imagens atrozes de corpos mutilados na cidade de Timisoara abalaram a opinião pública, e a imprensa ocidental se deixou levar.

Mas as supostas vítimas do regime comunista eram corpos de doentes e vítimas de acidentes, mortos antes da revolução. "O caso é, sobretudo, uma autointoxicação midiática", escreve François-Bernard Huyghe, no livro "La Désinformation".

* AFP

 

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