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Bruxelas12/06/2018 | 15h16

UE adota fundo de defesa para cortar dependência dos EUA

AFP
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A União Europeia (UE) apresenta na quarta-feira o primeiro Fundo Europeu de Defesa (FED) para desenvolver as capacidades militares de sus membros, mas suas condições descartarão na prática as empresas de países como os Estados Unidos e, inclusive, o Reino Unido.

A iniciativa dotada de 13 bilhões de euros busca promover a autonomia estratégia da UE, embora possa tensionar ainda mais as relações com os Estados Unidos de Donald Trump a um mês de uma importante cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em Bruxelas.

As empresas que optarem por estes fundos deverão "ter a sua sede e suas infraestruturas na União Europeia e, sobretudo, uma entidade instalada fora da UE não poderá controlar a tomada de decisões", explicou à AFP um responsável europeu que pediu anonimato.

A filial europeia de um grupo americano, canadense, russo, ou chinês, não poderá aspirar ao financiamento do Fundo Europeu de Defesa. E também um grupo britânico, detalhou à AFP outro responsável europeu.

"O programa começará a ser aplicado a partir de 1º de janeiro de 2021 e, portanto, para uma União Europeia de 27 membros", explicou. O Reino Unido abandonará o bloco no fim de março de 2019, se tornando um terceiro país.

A medida não agrada a Washington - principal artífice do aumento do gasto militar dos europeus -, que já advertiu seus aliados contra qualquer discriminação que afete suas empresas.

Em Bruxelas, as fontes consultadas defendem que os critérios não são discriminatórios, principalmente quando as empresas interessadas no financiamento nos Estados Unidos devem ter sede neste país, ou empregar apenas equipes americanas.

"Os critérios de elegibilidade europeus são similares. É normal que o dinheiro europeu vá para as empresas europeias", reitera o primeiro responsável europeu.

- 'Instrumento de emancipação' -

O Fundo Europeu de Defesa é "um instrumento de emancipação" para uma UE totalmente dependente das empresas americanas para a fabricação de drones militares e a proteção de seus satélites, segundo os responsáveis questionados.

"O Fundo contribuirá para a autonomia estratégica da Europa em matéria de proteção e defesa de seus cidadãos", segundo a Comissão Europeia.

Com 13 bilhões de euros para o período 2021-2027, o FED destinará 4,1 bilhões para a pesquisa e 8,9 bilhões para o desenvolvimento de capacidades militares.

"O Fundo irá intervir na fase mais delicada e mais cara da pesquisa: o desenvolvimento do protótipo", detalha um responsável europeu, afirmando que poderia financiar até "20% do custo".

Atualmente, "80% da pesquisa e do desenvolvimento é feito a nível nacional na UE" e "o resultado são 172 sistemas de armamento" que não são "interoperáveis", acrescenta esta fonte.

Com este Fundo, França, Alemanha, Itália e Espanha poderiam financiar seu projeto conjunto de um drone militar MALE, assegurou à AFP a ministra francesa dos Exércitos, Florence Parly.

A eleição de Trump nos Estados Unidos e suas críticas à defesa coletiva na Otan, à qual pertencem 22 países da UE, supôs um impulso para que os europeus progridam em seu antigo sonho de uma Europa de Defesa.

Quando os europeus estão imersos em tentar alcançar os 2% do PIB de gasto militar nacional para 2024, uma das exigências de Washington na Otan, os Estados Unidos se preocupam agora com os desejos de autonomia de seus aliados e urgem que comprem suas empresas.

"A competição entre os industriais do setor da Defesa não é nova, mas as pressões dos Estados Unidos para comprar equipamento americano se tornaram problemáticas", reconheceu recentemente um responsável de alto escalão da Otan em Bruxelas.

Inclusive, o secretário-geral da Aliança Atlântica, Jens Stoltenberg, fez eco do debate de 7 de junho. "Os países da Otan que não são membros da UE não podem receber financiamento da UE", disse após uma reunião de ministros da Defesa em Bruxelas.

* AFP

 

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