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Managua11/06/2018 | 16h56

Silêncio de Ortega sobre diálogo mergulha Nicarágua no caos

AFP
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A violência que atinge a Nicarágua há quase dois meses ganhou força nesta segunda-feira (11) na capital, que se viu mergulhada no caos, enquanto o presidente Daniel Ortega guarda silêncio sobre uma proposta dos bispos para retomar o diálogo.

O governo lançou uma ofensiva no domingo, que entrou na madrugada desta segunda, para levantar os bloqueios das estradas e houve ataques de civis armados contra policiais antidistúrbios.

A capital estava semiparalisada pela falta de transporte e o temor de trabalhadores de ficarem presos no fogo cruzado.

Os ataques a manifestantes entrincheirados em Sébaco, norte de Manágua, deixaram no domingo um morto e danos materais, segundo o Centro Nicaraguense de Direitos Humanos (Cenidh) e a polícia.

No sábado, os choques deixaram três mortos em Masaya.

Os protestos contra o governo começaram em 18 de abril contra uma reforma previdenciária e se estendeu a outros setores depois da repressão oficial, que deixou 139 mortos e mais de 1.000 feridos, segundo o Cenidh.

- Vias bloqueadas -

O bloqueio de quase 70% das estradas visa a proteger as cidades de ataques de grupos paramilitares e pressionar o governo para que aceita negociar uma agenda de democratização do país, segundo os dirigentes do movimento opositor.

Os homens encarregados de acabar com os bloqueios chegam disparando e colocando abaixo as barricadas, o que obriga os habitantes a se proteger em suas casas, segundo vídeos postados em redes sociais e meios de comunicação.

A maioria dos bairros atacados margeia a avenida João Paulo II - que une o norte e o sul da capital -, uma zona conhecida como "pista da resistência" porque foi a primeira a se rebelar contra a ditadura Somoza, explica à AFP a ex-dirigente guerrilheira e dissidente sandinista, Mónica Baltodano.

Cerca das 6.000 caminhões de carga oriundas de países da América Central que estão em trânsito na Nicarágua estão bloqueados com mercadoria, o que gera enormes perdas econômicas, segundo os dirigentes de transporte.

- Linguagem de repressão -

O bispo auxiliar de Manágua, Silvio Báez, pediu à população de Manágua que "se resguarde em suas casas e não saia às ruas".

"Está muito perigoso pela presença dos grupos de choque. Não arrisquem a vida inutilmente".

As ações de repressão prosseguem com a mesma intensidade apesar de o encontro, na quinta-feira passada, entre a hierarquia católica e Ortega, a quem foi apresentada uma agenda para antecipar as eleições e reformar a Constituição e a Lei Eleitoral.

O presidente pediu 48 horas para refletir e dar uma resposta, mas até agora não se pronunciou.

"Usar apenas a linguagem da repressão na Nicarágua nos afasta cada vez mais da realidade, agrava a crise política, a dor do povo e destrói o Diálogo Nacional", disse o bispo Báez, segundo suas palavras, no encontro com Ortega na semana passada.

* AFP

 
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