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Seul11/06/2018 | 09h26

Principal desafio da cúpula Kim-Trump é a desnuclearização

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O principal tema na agenda do presidente americano, Donald Trump, para seu encontro com o líder norte-coreano, Kim Jong-un, é, sem dúvida, o mais espinhoso: a desnuclearização da Coreia do Norte.

Pyongyang desenvolveu durante décadas um programa para obter as armas nucleares e os mísseis balísticos necessários para atacar o território americano, que levou a múltiplas rodadas de sanções por parte do Conselho de Segurança da ONU, dos Estados Unidos e da União Europeia.

As tensões entre Washington e o regime norte-coreano se agravaram no ano passado, dando lugar a uma troca de ameaças de guerra e insultos pessoais entre Trump e Kim.

Agora, após uma rápida aproximação diplomática, os dois dirigentes se dispõem a celebrar um encontro em Singapura, em 12 de junho. Apesar das imagens positivas dos últimos meses, porém, a brecha que ambos terão de superar parece imensa.

"A mim parece muito complicado que Kim abandone a única coisa que o torna importante, ou seja, as armas nucleares", disse o ex-subsecretário de Estado americano Richard Armitage à imprensa em Tóquio na semana passada.

Washington pede à Coreia do Norte que abandone suas armas nucleares de maneira completa, verificável e irreversível.

Pyongyang se comprometeu várias vezes a desnuclearizar a península coreana, mas essas declarações são um eufemismo diplomático aberto a diversas interpretações, e o regime norte-coreano não deu qualquer indicação pública das concessões que está disposto a fazer.

Em vez disso, Kim pediu que Washington e Seul "ponham fim às ameaças contra a segurança" da Coreia do Norte e deem passos de acordo com seus próprios movimentos, durante uma conversa com o presidente da China, Xi Jinping, segundo a imprensa estatal chinesa.

Essas declarações são uma clara indicação de que Kim tentará obter concessões por parte dos Estados Unidos.

Os primeiros sinais pareciam indicar que Washington esperava uma renúncia total da Coreia do Norte a seu arsenal nuclear.

As declarações do conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, John Bolton, sobre um possível "modelo líbio" para a Coreia do Norte enfureceram Pyongyang, já que o então líder da Líbia, Muamar Khadafi, foi derrubado e terminou executado por uma rebelião apoiada pela Otan, mesmo depois de abandonar seu programa nuclear.

Nos últimos dias, Trump diminuiu as expectativas em relação à cúpula de Singapura e garantiu que pode ser a primeira de várias.

"Acho que não é um acordo de um único encontro", disse Trump na quinta-feira, insistindo em que se a Coreia do Norte "não se desnuclearizar, não será aceitável".

- O arsenal norte-coreano -

A Coreia do Norte, um país pobre, dedicou importantes recursos a seus programas armamentistas, conseguindo rápidos avanços na gestão Kim.

No ano passado, lançou seu mais potente teste nuclear até então, garante que testou uma bomba H e lançou mísseis balísticos intercontinentais (ICBM) capazes de alcançar o território americano.

Além de seu arsenal nuclear, acredita-se que o país possua entre 2.500 e 5.000 toneladas de armas químicas que produziu desde os anos 1980, segundo as Forças Armadas sul-coreanas.

Persistem, contudo, dúvidas sobre a capacidade do regime norte-coreano no que se refere à identificação de alvos, à miniaturização de ogivas nucleares, ou o reingresso dos mísseis na atmosfera - três aspectos que a Coreia do Norte garante controlar.

As estimativas sobre a capacidade nuclear norte-coreana variam segundo as fontes.

Seul calcula que as reservas de plutônio norte-coreanas chegam a mais de 50 quilos, o suficiente para produzir cerca de dez armas nucleares, e assegura que Pyongyang também tem "uma quantidade significativa" de urânio altamente enriquecido.

"Para o governo Trump, é provável que a essência das conversas se reduza aos ICBM e às ogivas nucleares", afirma Hong Min, analista do Instituto Coreano para a Unificação Nacional.

Siegfried Hecker, um especialista americano no âmbito nuclear, acredita que uma desnuclearização imediata da Coreia do Norte é "inimaginável" e "equivalente a uma suposta rendição norte-coreana" e propõe um mapa de rota de dez anos para "deter, reduzir e eliminar" seus programas armamentistas.

Já em Seul aumentam as dúvidas sobre o fato de Trump estar disposto a aceitar que Pyongyang abandone seus ICBM e congele seu programa de armas atômicas em seus níveis atuais em troca de Washington reconhecer a Coreia do Norte como potência nuclear.

Isso eliminaria a ameaça sobre o território americano, mas deixaria dois aliados dos EUA - Coreia do Sul e Japão - ao alcance dos mísseis norte-coreanos.

* AFP

 
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