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Lima10/06/2018 | 22h16

Ex-presidentes peruanos Kuczynski, García e Toledo investigados por caso Odebrecht

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A procuradoria peruana abriu uma investigação preliminar contra os ex-presidentes Pedro Pablo Kuczynski, Alan García e Alejandro Toledo, acusados de receber supostas contribuições ilegais da construtora brasileira Odebrecht para suas respectivas campanhas eleitorais, informou neste domingo o Ministério Público.

O procurador José Domingo Pérez "abriu #InvestigaçãoPreliminar por lavagem de ativos contra" os ex-presidentes Alejandro Toledo Manrique, Pedro Pablo Kuczynski e Alan García, além de outras três pessoas próximas a cada um deles, disse a procuradoria em sua conta no Twitter.

"Todas as partes foram notificadas das respectivas disposições que incluem a programação de diversas diligências", indicou a procuradoria em outro tuíte.

Todos negam ter recebido dinheiro da construtora, apesar das declarações em sentido oposto do ex-chefe da Odebrechet no Peru, o brasileiro Jorge Barata.

As investigações começaram após os interrogatórios feitos pela procuradoria peruana a Barata, em fevereiro passado em São Paulo.

O diretor confessou que distribuiu milhões de dólares entre os candidatos à presidência peruana entre 2001 e 2016.

Barata declarou nessa ocasião que entregou 300.000 dólares para a campanha de Kuczynski (2016-2018) através da banqueira Susana de la Puente, que também será investigada e foi embaixadora do Peru em Londres.

O ex-diretor indicou que a Odebrecht contribuiu, ainda, com as campanhas de Alejandro Toledo (2001-2006), Alan García (2006-2011) e Ollanta Humala (2011-2016), segundo revelou meses atrás o portal IDL-Reporteros, que periodicamente divulga informações sobre este escândalo.

"Me investigam pela sexta vez em cinco anos. Nem a Odebrecht nem Barata me mencionam e todas as peritagens oficiais mostram que meus gastos se sustentam com meus rendimentos. Outros se vendem, eu não", tuitou Alan García após o anúncio da investigação.

García desafiou a procuradoria e indicou que "podem investigar e reinvestigar mais 10 vezes meus rendimentos, minha casa e meu escritório. Sempre estarei à disposição da justiça fazendo respeitar meus direitos".

A líder opositora Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, também recebeu dinheiro para a sua campanha. No entanto, em seu caso, a procuradoria investiga seus dois chefes de campanha em 2011.

"Nas eleições de 2011, a Odebrecht contribuiu ou canalizou contribuições a quatro candidatos": 3 milhões de dólares a Humala; 1,2 milhão a Fujimori, 700.000 dólares a Toledo e 300.000 dólares a Kuczynski, disse Barata aos procuradores, segundo o portal.

A construtora brasileira tinha admitido em 2016 que pagou 20 milhões a Toledo para obter a concessão da estrada Interoceânica, que une o Brasil com o Peru e que foi inaugurada em 2006 por Toledo e o então presidente brasileiro Lula. Por este caso, o Peru pediu aos Estados Unidos a extradição de Toledo, que vive na Califórnia.

As investigações contra o ex-presidente Alan García (2006-2011) se concentram na versão de Barata que alega ter entregue ao dirigente Luis Alva Castro, vinculado à campanha de García, mais de 200.000 dólares.

A Odebrecht havia admitido anteriormente que desembolsou subornos no valor de 29 milhões de dólares no Peru entre 2005 e 2014, ao longo dos governos de Toledo, García e Humala.

O ex-presidente Humala já é investigado pela procuradoria por ter recebido três milhões de dólares da Odebrecht para sua campanha.

A investigação formal da procuradoria se concretiza após ter terminado de revisar as transcrições e traduções oficiais das autoridades brasileiras dos interrogatórios.

O Peru é, depois do Brasil, o país mais afetado na América Latina pelo escândalo de corrupção da Odebrecht.

Kuczynski se tornou no último 21 de março o primeiro presidente da região a renunciar ao cargo devido ao suposto envolvimento de suas empresas em negócios com a Odebrecht, quando o hoje ex-governante e ex-banqueiro de Wall Street era primeiro-ministro no governo de Toledo.

* AFP

 

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