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Istambul22/06/2018 | 08h26

Erdogan, o 'rais' que quer deixar sua marca na história da Turquia

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Durante seus quinze anos de poder, Recep Tayyip Erdogan transformou profundamente a Turquia. Agora, mede suas forças para consolidar definitivamente seu poder e entrar para a história igualando-se ao fundador da República, Mustafa Kemal.

Sua passagem pela prisão, os enormes protestos e uma sangrenta tentativa de golpe de Estado não foram suficientes para deter a ascensão do "rais" ("chefe"), como o chamam seus partidários, que dirige o país com mão de ferro desde 2003.

Aos 64 anos, Erdogan está muito perto de seu objetivo: conquistar, nas eleições gerais de domingo, um mandato presidencial feito sob medida, após a reforma Constitucional aprovada no ano passado.

Seja qual for o resultado da votação, que se anuncia mais apertada do que o previsto, Erdogan já transformou profundamente a Turquia através de megaprojetos de infraestruturas e conduzindo uma política externa firme, chegando a incomodar seus tradicionais aliados ocidentais.

Para seus simpatizantes, continua sendo o homem do milagre econômico e das reformas que libertaram a maioria religiosa e conservadora do país da dominação das elites laicas.

Mas os críticos acusam Erdogan de uma deriva autocrática, principalmente desde a tentativa de golpe de Estado de julho de 2016, à qual se seguiram expurgos em massa. Opositores e jornalistas também foram detidos, provocando preocupação na Europa.

- Orador sem igual -

Erdogan é descrito no Ocidente como um sultão impossível de desbancar. De fato, este animal político venceu todas as eleições desde que seu partido, o AKP, chegou ao poder em 2002.

Em seus comícios, emprega suas qualidades de orador, que em grande parte contribuíram para sua longevidade política, referindo-se a poemas nacionalistas e ao Alcorão para conquistar as multidões.

Nascido em Kasimpasa, bairro operário de Istambul, Erdogan faz alarde com frequência de suas origens humildes. Educado em um colégio religioso, ex-vendedor ambulante, "Tayyip" tinha o sonho de se tornar jogador de futebol antes de se lançar à política pelo movimento islamista.

Eleito prefeito de Istambul em 1994, triunfou em 2002 quando o AKP venceu as eleições legislativas e se tornou primeiro-ministro um ano depois, ao ser anistiado de uma pena de prisão imposta por ter recitado em público um poema religioso.

Aprendeu todos os truques no movimento islamita do ex-primeiro-ministro Necmettin Erbakan.

Em 1998 foi condenado a uma pena de prisão por ter recitado um poema religioso, episódio que serviu para reforçar sua imagem.

Casado e pai de quatro filhos, Erdogan continua sendo o político favorito da maioria dos turcos, sendo considerado o único capaz de se manter firme diante do Ocidente e de guiar o país através das crises regionais.

- 'A obra sobrevive' -

Mas desde as grandes manifestações contra o governo de 2013, brutalmente reprimidas, também se tornou na personalidade política mais criticada da Turquia.

Seu poder vacilou no final de 2013 com um escândalo de corrupção envolvendo seu círculo mais próximo. Erdogan denunciou um "complô" e ignorou em grande parte o caso.

Mas, em 15 de julho de 2016, o presidente turco teve que enfrentar seu maior desafio, em forma de sangrenta tentativa de golpe de Estado.

A imagem de Erdogan na tela de um smartphone com o rosto pálido ficou na memória de muitas pessoas. Assim como sua chegada triunfal ao principal aeroporto de Istambul na madrugada do dia seguinte, evidenciando a derrota dos golpistas.

O presidente turco acusa o clérigo Fethullah Gülen de estar por trás da intentona golpista, o que Gülen nega.

O presidente, que domina a política turca há 15 anos, parece determinado a deixar sua marca na história de seu país, assim como o fundador da república, Mustafa Kemal Atatürk.

"Um burro morto deixa sua sela, um homem morto deixa sua obra", repete com frequência o chefe de Estado, multiplicando as referências ao sultão Mehmet II, que conquistou Constantinopla em 1453.

* AFP

 

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