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Istambul25/06/2018 | 09h41

Erdogan celebra sua reeleição e seus novos poderes na Turquia

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O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, celebrou nesta segunda-feira sua vitória no primeiro turno das eleições de domingo e os novos poderes depois da reforma constitucional.

Seu principal adversário, Muharrem Ince, ao reconhecer a vitória, pediu que Erdogan governe para todos os turcos.

No dia seguinte à vitória nas eleições gerais, presidencial e legislativo, Erdogan falou aos partidários do balcão da sede seu partido, o AKP, em Ancara.

"A Turquia deu uma lição de democracia ao mundo", afirmou, diante de milhares de partidários que agitavam bandeiras turcas e gritavam seu nome.

Erdogan, no poder há 15 anos e reeleito para um novo mandato de 5 anos, já havia proclamado sua vitória quando as autoridades eleitorais turcas informaram na madrugada desta segunda-feira (noite de domingo no Brasil) que ele havia obtido a maioria absoluta dos votos apurados.

"A vencedora destas eleições é a democracia, a vontade nacional. O vencedor destas eleições é cada um dos 81 milhões de nossos concidadãos", exclamou Erdogan entre vivas de seus simpatizantes.

Desde que o AKP chegou ao poder em 2002, Erdogan destacou-se como o dirigente turco mais poderoso depois do fundador da república, Mustafa Kemal, transformando o país com megaprojetos de infraestrutura e reformas sociais, liberando a expressão religiosa, e transformando Ancara em ator-chave da diplomacia.

Ele governa a Turquia desde 2003, então como primeiro-ministro e, depois, a partir de 2014, como presidente. Tornou-se um dirigente popular, mas também é o que mais polarizou a sociedade turca nas últimas décadas.

Seus críticos acusam o "rais", de 64 anos, de seguir uma orientação autocrática, particularmente desde a tentativa de golpe de julho de 2016, que foi acompanhada de uma onda de repressão sem piedade contra opositores e jornalistas e tensionou as relações entre Ancara e o Ocidente.

Sua vitória foi mais importante do que previam os analistas e ele fez questão de destacar seus novos poderes presidenciais, aceitos pela população no referendo de abril de 2017, fazendo a oposição temer a instauração de um poder autocrático.

Segundo os resultados provisórios publicados pela agência estatal Anadolu, Erdogan tem 53,6% dos votos, com uma taxa de participação de 88% dos 80 milhões de turcos habilitados a votar.

Os resultados finais serão anunciados esta semana pelo Alto Comitê Eleitoral (YSK).

Seu principal adversário, o social-democrata Muharrem Ince, ficou na segunda posição das presidenciais, com 30,7% dos votos, e a aliança "anti-Erdogan", formada por vários partidos de oposição para as legislativas, obteria 31%, segundo resultados parciais divulgados pela Anadolu.

Muharrem Ince admitiu a derrota e pediu ao presidente eleito que governe para todos os turcos. Em coletiva de imprensa em Ancara, Ince afirmou que a Turquia passou a ser "um regime autocrático" com a entrada em vigor reforma constitucional.

- Novos poderes -

Com a entrada em vigor da reforma constitucional, Erdogan poderá potencialmente ficar no poder até 2023, e talvez além.

A reforma prevê que a figura presidencial concentre todos os poderes executivos, e poderá assim nomear ministros e altos magistrados, decidir o orçamento e governar por decretos. O cargo de primeiro-ministro será suprimido.

Os observadores consideraram as eleições de domingo as mais difíceis para Erdogan desde que ele chegou ao poder, com uma situação econômica adversa e uma oposição revigorada.

Também criticam as condições de campanha inquietantes, com uma cobertura da mídia abertamente favorável ao presidente turco. "Esta eleição foi injusta", lamentou Ince.

Uma missão de observadores da OSCE e do Conselho da Europa também denunciou nesta segunda-feira a falta de "oportunidades iguais" para os vários candidatos.

E, apesar da prisão de vários deputados do partido pró-curdo HDP e de seu candidato à presidência, Selahattin Demirtas, este obteve 10% dos votos em nível nacional, o que permite que tenha uma cadeira no novo Parlamento.

A oposição mobilizou um exército de observadores para vigiar as eleições. Constataram irregularidades, em particular na província de Sanliurfa.

* AFP

 

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