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Roma12/06/2018 | 18h06

Entre assustados e aliviados, migrantes a bordo do Aquarius agradecem

AFP
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Os 629 migrantes amontoados no barco "Aquarius" passaram nos últimos dias do medo de ter que voltar para a Líbia ao alívio de pisar em breve em terra firme, explicou nesta terça-feira (12) à AFP a jornalista da Euronews Anelise Borges, que viaja com eles.

"Há alguns minutos disseram-lhes que partimos para a Espanha, primeiro houve uma hesitação, um 'o que?', e em seguida começaram a falar entre eles, a maioria estava contente, começaram a aplaudir", explicou Anelise por telefone a bordo do barco humanitário.

"Disseram: 'obrigado, Europa, por nos deixarem entrar' antes de brincar sobre os jogadores do Real Madrid e do Barcelona", continuou.

Estas 629 pessoas socorridas em frente ao litoral da Líbia, entre elas sete mulheres grávidas e 11 crianças pequenas, passaram 48 horas paradas no Mediterrâneo, perto de Malta, à espera de uma definição sobre seu destino, e ignorando a luta que era travada às suas costas.

Durante o fim de semana, Itália e Malta se enfrentaram em uma verdadeira queda de braço: os dois países se negavam a abrir seus portos ao "Aquarius" até a Espanha anunciar, na segunda-feira, a decisão de acolhê-lo.

Mas o capitão resistia a navegar quase 800 milhas náuticas (cerca de 1.500 km), durante quatro dias com ondas de dois metros, segundo as previsões meteorológicas, com 629 passageiros, acrescentou a jornalista.

Finalmente, duas embarcações italianas, da Guarda Costeira e da Marinha, devem embarcar centenas destes imigrantes e navegar junto ao "Aquarius" até Valencia.

"A situação a bordo é tranquila por enquanto, levando-se em conta o tempo que as pessoas estão aqui e pelo que passaram" antes de serem resgatadas, assegurava a jornalista, enquanto começavam as operações de transbordo de passageiros aos outros barcos.

"Estas pessoas passaram 20 a 30 horas no mar antes de serem socorridas pelo 'Aquarius' e outros barcos. Estão muito cansadas, só querem chegar a algum lugar, mas mostram paciência".

- Migrantes assustados -

Mas não foi simples assim. A ONG francesa Médicos sem Fronteiras (MSF), que também está presente no "Aquarius", explicou na segunda-feira aos migrantes que era "possível que o barco não partisse rumo à Itália" e, "naturalmente, as pessoas se espantaram", explicou Borges. "Um homem ameaçou pular do barco, dizia que não queria voltar à Líbia. Para algumas pessoas, a ideia de voltar para lá era realmente assustadora".

A MSF tentou tranquilizá-los para "evitar um movimento de pânico coletivo" em um barco com capacidade para 550 pessoas em que viajam 629, acrescentou.

Amontoados e sem ter o que fazer, estes homens e mulheres, frequentemente esgotados, ainda têm que suportar o calor tórrido desta época do ano no Mediterrâneo.

"Todas as grávidas estão bem, evidentemente estão cansadas e precisam de roupa e roupa íntima para trocar", explicou Borges. "Uma delas me contou o que sofreu na Líbia, está traumatizada e não quer voltar. E me perguntou: 'Posso ligar para meu marido na Líbia? Posso ter roupa íntima limpa? Gostaria de me trocar, de tomar banho'. Sendo assim, não temos emergências médicas, mas sim um incômodo extremo", relatou.

"As crianças são as únicas que sorriem sem parar, brincam com tudo o que encontram", mesmo na segunda-feira, quando receberam biscoitos, a única comida que restava, perguntaram se não havia "comida de verdade".

A ONG SOS Méditerranée informou nesta terça-feira que "primeiro levaram provisões a bordo de um navio da Marinha maltesa na tarde de segunda-feira: 950 garrafas d'água, 800 'snackbars' e 800 porções de macarrão".

"Na manhã desta terça-feira, as autoridades marítimas italianas fizeram um segundo abastecimento de comida e itens de primeira necessidade, entregaram 200 quilos de laranjas, 2.400 pãezinhos, 100 caixas de chá, 50 kg de açúcar, e também cobertores, chapéus e meias".

* AFP

 

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