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Managua19/06/2018 | 01h21

Bispos suspendem diálogo de pacificação na Nicarágua

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O diálogo para pacificar a Nicarágua em meio a protestos que já deixaram 180 mortos foi suspenso nesta segunda-feira, após a Conferência Episcopal (CEN) vincular seu prosseguimento ao convite à participação de organismos internacionais de direitos humanos.

A sessão plenária do diálogo prevista para esta terça-feira está adiada até o "envio urgente" do convite aos organismos internacionais de direitos humanos, como ficou acertado na sexta-feira passada.

"Quando o governo nos enviar a cópia dos convites e os organismos internacionais nos transmitirem sua recepção" convocaremos a retomada das mesas de trabalho e a sessão plenária do diálogo, destacou a CEN.

A Aliança Cívica pela Justiça e a Democracia já havia abandonado as mesas de trabalho nesta segunda-feira, após acusar o governo de ignorar o acordo para convidar organismos internacionais para as investigações sobre à repressão violenta aos protestos.

O diálogo acontecia no seminário de Nossa Senhora de Fátima, em Manágua, e nesta segunda-feira estava sob o espectro da morte de seis membros de uma família em um ataque atribuído a paramilitares ligados ao governo do presidente Daniel Ortega.

O líder estudantil Lesther Alemán revelou que durante mais de uma hora se pediu ao governo a cópia do convite que deveria enviar à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), ao Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos e à União Europeia (UE), e "como não a apresentaram, nos levantamos" da mesa.

O chanceler Denis Moncada, chefe da delegação oficial, justificou a ausência do convite aos organismos internacionais por razões "burocráticas", revelou o acadêmico Carlos Tünnerman, delegado da sociedade civil no diálogo.

"Vá a seu gabinete, redija as cartas, mande os convites e traga as cópias para o plenário do diálogo nesta terça-feira", disse Tünnerman a Moncada, horas antes da decisão dos bispos de suspender o diálogo.

O governo emitiu uma declaração na qual negou a repressão aos protestos e manifestou sua "gravíssima preocupação pela trágica escalada da violência que sofre o povo nicaraguense".

Na declaração, afirma que propôs à oposição "trabalhar para se alcançar acordos verificáveis de segurança, paz e reconciliação nos municípios e departamentos da Nicarágua", mas não citou a questão do convite aos organismos internacionais dos direitos humanos.

Nesta segunda-feira estava previsto a discussão do levantamento dos bloqueios nas estradas, a antecipação das eleições para março e a reformulação do Poder Judiciário.

Tunnerman destacou que o governo não cumpre com o acertado no diálogo porque se comprometeu aplicar 15 recomendações da CIDH, incluindo o fim da repressão e o desarmamento dos grupos civis armados e "não fez nada".

"Precisamos que estes organismos estejam no país como garantia" do que foi acertado e que acabe a violência contra a população, disse a dirigente do Movimento de Mulheres, Azhalia Solís.

O Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad Al Hussein, condenou durante na sessão do Conselho de Direitos Humanos em Genebra a violência na Nicarágua, e pediu ao governo que cumpra os compromissos firmados na sexta-feira.

- Masaya exige saída de Ortega -

Na cidade de Masaya, os manifestantes ignoram as negociações e afirmam que ficarão no controle até a saída do presidente Daniel Ortega e de sua mulher e vice-presidente, Rosario Murillo, do poder.

"Nossas barricadas ficarão, são a única defesa pacífica e cívica" para impedir a entrada das caminhonetes "assassinas" para capturar, torturar e assassinar jovens, declararam os líderes da "Resistência Cívica" desta cidade, 30 km a sudeste de Manágua.

Masaya, bastião da luta contra a ditadura de Anastasio Somoza em 1979, se revolta agora contra Ortega, que liderou as ações para derrubar o antigo regime.

Protestos contra a reforma da Previdência em Manágua deflagraram uma onda de manifestações e repressão que já deixou 180 mortos e mais de mil feridos nos últimos dois meses, segundo o Centro Nicaraguense dos Direitos Humanos (Cenidh).

* AFP

 

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