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Paris11/06/2018 | 11h16

A ciência que está envolvida no futebol

AFP
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Tipo de bola, cor da camisa, criatividade dos jogadores: a ciência, baseando-se, entre outros, na aerodinâmica e nas ciências cognitivas, também está presente no futebol e na Copa do Mundo de 2018.

- A tecnologia da nova bola -

Concebida pela Adidas, a bola oficial da Copa do Mundo de 2018, a Telstar 18, é criticada por alguns goleiros que temem desvios de trajetória.

Mas estudos científicos sugerem que a Telstar 18 é mais do gênero estável.

Testada com robôs, a Telstar 18 "mostrou uma trajetória bastante estável", comparada às bolas das duas Copas do Mundo anteriores, Brazuca (2014) e Jabulani (2010), garantiu à AFP Sungchan Hong, do Instituto de Ciências da Saúde e Esportes de Tsukuba (Japão).

"O que significa que em situações de chute parado, como um escanteio ou pênalti, deve ser efetiva", acrescentou ele.

Por tudo isso, a Telstar 18 não deve prejudicar os goleiros. "Não terá tantos movimentos irregulares como Jabulani", a bola da Copa do Mundo de 2010, altamente criticada por suas trajetórias flutuantes, segundo o pesquisador.

"A Jabulani não era uma boa bola", aponta Eric Goff, professor de física da Universidade de Lynchburg, na Virgínia (EUA). "Brazuca e Telstar 18 são muito melhores", acrescenta o pesquisador que estudou o comportamento da nova bola submetida à resistência do ar em túneis de vento.

A aerodinâmica da Telstar 18 é "muito parecida" com a da Brazuca. "Os jogadores não devem ver diferenças significativas quando chutarem escanteios ou pênaltis", acrescentou.

A diferença será vista nos chutes (ou passes) longos, a 90 km/h ou mais: a Telstar 18 será enviada um pouco menos longe (cerca de 8% a 10%) do que a Brazuca. Isso poderia ser um problema para os jogadores que chutam à distância, mas facilitaria para os goleiros, de acordo com Eric Goff.

Como a Brazuca, a Telstar 18 tem apenas seis gomos, enquanto a Jabulani tinha 8.

Com 14 gomos, a Teamgeist, usada na Copa do Mundo de 2006 na Alemanha, foi a primeira a abandonar os 32 gomos tradicionais da bola.

- O vermelho, uma vantagem? -

Há vários anos, os cientistas se perguntaram se a cor das camisas afetaria o resultado da competição.

Num plano "teórico", alguns pesquisadores supõem que o vermelho provavelmente afeta o desempenho "de muitas maneiras", segundo Ian Greenlees, professor de psicologia do esporte na Chichester University (Reino Unido).

Porque o vermelho, "cor de sangue", é frequentemente associado a um "perigo", mas também a "agressão".

Concretamente, no campo, um jogador de camisa vermelha se sentiria "mais dominante e confiante" do que um jogador vestindo uma camisa de outra cor. Outra explicação possível é que os jogadores que enfrentam adversários em vermelho seriam "mais ansiosos e menos confiantes" diante desta cor percebida como uma "ameaça", o que teria um efeito negativo sobre seu desempenho.

No momento, a ciência não permite afirmar com certeza, os diferentes estudos não vão na mesma direção, "mesmo que vários pareçam mostrar que uma roupa vermelha pode ter um "pequeno impacto", de acordo com Ian Greenlees.

Uma pesquisa de 2008 sobre o futebol, liderada pela equipe de Ian Greenlees, mostrou que os goleiros percebiam os batedores de pênaltis de camisa vermelha como "mais concentrados, mais dominantes e experientes" do que aqueles de branco. E que esses goleiros tinham menos confiança em sua capacidade de parar o chute de um jogador vestido de vermelho.

Em outro estudo de 2013, Ian Greenlees mostrou que os batedores de pênaltis têm menos sucesso quando enfrentam um goleiro vestido de vermelho do que quando ele usa verde, azul ou amarelo.

"Mas uma boa equipe vestindo branco, azul ou verde sempre terá um desempenho melhor do que uma equipe de nível médio usando vermelho", ressalta o pesquisador.

Outro estudo conduzido por uma equipe holandesa em 2015 destacou o fato de que o branco era a cor mais visível em um campo de futebol, o que pode aumentar o número de passes bem sucedidos.

- Criatividade indispensável -

É ela que às vezes eleva o futebol ao nível da arte. Capaz de virar um jogo, a criatividade dos jogadores de alto nível, como Lionel Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar, intriga os cientistas.

Um estudo publicado em 2018 no Journal des Sciences du Sport analisou o nível de criatividade dos gols marcados nas Copas do Mundo de 2010 e 2014 e na Eurocopa de 2016, para ver o quanto poderia contribuir para a vitória.

Tendo definido a criatividade no futebol como uma resposta "surpreendente, original e flexível" a uma situação, os pesquisadores da Universidade de Colônia (Alemanha) estudaram 331 gols marcados nas primeiras fases urante estas três competições (153 partidas). Eles se concentraram nos oito movimentos antes do gol, dando-lhes uma nota de criatividade (de 0 a 10).

A equipe descobriu que as últimas três ações antes do gol são "as mais importantes e as mais criativas".

Certamente, as ações "muito criativas" são "bastante raras", observam. Mas 46% dos gols estudados incluíram pelo menos um "muito criativo". E as melhores equipes tiveram 63% dos gols "altamente criativos".

"Mostramos que as equipes vencedoras usam mais ações criativas para marcar gols", escreveram os pesquisadores Matthias Kempe e Daniel Memmert.

Estes resultados mostram que "a criatividade é um fator decisivo para a vitória no futebol", destacam.

Eles aconselham os treinadores a planejar programas táticos de treinamento em criatividade, não apenas para jogadores mais jovens, mas também para jogadores profissionais.

* AFP

 

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