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Cidade do Vaticano15/05/2018 | 15h51

Papa impõe meditação aos bispos chilenos

AFP
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O papa Francisco impôs aos 34 bispos chilenos reunidos no Vaticano para discutir os abusos contra crianças cometidos durante décadas no país latino-americano um "tempo dedicado à meditação e oração", informou nesta terça-feira (15) a Santa Sé.

"Esta tarde, o papa entregou a cada um dos bispos os temas de meditação. A partir de agora e até a próxima reunião começa um período dedicado exclusivamente à meditação e oração", indicou em uma breve declaração o porta-voz do Vaticano, Greg Burke.

Os bispos, que estarão 24 horas imersos em meditação, são esperados novamente na quarta-feira para uma reunião com o papa e na quinta-feira para dois outros encontros.

A hierarquia da Igreja chilena não poderá, portanto, assistir à audiência geral tradicional de quarta-feira no Vaticano.

O pontífice argentino convocou em abril a hierarquia da Igreja chilena ao Vaticano, uma medida excepcional, para discutir o assunto e preparar medidas para remediar o escândalo sobre os casos de pedofilia.

O momento é crucial, uma vez que poderá incluir o afastamento de vários hierarcas, em uma mensagem clara de intolerância do papa Francisco ao abuso sexual e seu encobrimento.

Em um comunicado particularmente duro e extenso divulgado no sábado, o Vaticano explicou que o papa Francisco "considera ser necessário analisar em profundidade as causas e consequências, bem como os mecanismos que conduziram, em alguns casos, ao acobertamento e a graves omissões".

O Vaticano afirma que serão investigados eventuais "abusos de poder, sexuais e de consciência, ocorridos no Chile nas últimas décadas".

Não está excluído que o papa substitua vários prelados para abrir uma nova era da Igreja chilena, consciente dos danos causados à imagem já manchada da instituição no país latino-americano.

Um dia antes, em uma coletiva de imprensa, o porta-voz da Conferência Episcopal do Chile, Fernando Ramos, bispo auxiliar de Santiago, e Juan Ignacio González, bispo de San Bernardo, expressaram sua "tristeza e vergonha" e asseguraram que estavam dispostos a respeitar as medidas que o papa decretar.

A convocação ocorre duas semanas após Francisco receber em um ambiente familiar três vítimas de abusos sexuais do padre chileno Fernando Karadima, em um encontro durante o qual ele assegurou que tomaria medidas para acabar com a pedofilia e, especialmente, com sua ocultação dentro da Igreja.

Os 31 bispos chilenos não estão hospedados na Casa Santa Marta, a residência do papa dentro do Vaticano, um gesto que alguns consideram de particular distanciamento.

Não é a primeira vez que um pontífice faz uma limpeza de tal magnitude para casos de abusos sexuais. João Paulo II fez isso em 2002 com a Igreja dos Estados Unidos, e Bento XVI, em 2010, com a da Irlanda.

* AFP

 

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