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Caracas17/05/2018 | 20h51

Opositores presos continuam entrincheirados no serviço venezuelano de Inteligência

AFP
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Opositores presos mantinham tomados os porões do serviço venezuelano de Inteligência - onde está detido um americano acusado de espionagem - nesta quinta-feira (17) para exigir que sejam liberados a três dias das questionadas eleições presidenciais.

Negociações com os presos permitiram a transferência de 72 "privados de liberdade para diversos centros de reclusão", informou no Twitter o procurador-geral, Tarek William Saab.

"Estão sendo examinados por uma equipe médica", acrescentou o procurador, indicando que funcionários de seu gabinete e do ministério de Serviços Penitenciários.

O protesto, no entanto, continuou pelo segundo dia no edifício de El Helicoide, oeste de Caracas, onde segundo os internos e a ONG Foro Penal há 256 presos, 54 deles por razões políticas.

O dirigente José Vicente García, detido no local, assegurou em um vídeo enviado à AFP que somente transportaram os presos comuns que quiseram.

"Ficamos com a maioria dos presos políticos (...). Tememos por nossa vida (...), vamos resistir até o final, a liberdade dos presos políticos tem que acontecer", afirmou.

Até agora não foi explicado como os detidos mantêm o controle das celas, pois garantem que seu protesto é pacífico e não estão armados, bem como conseguem mandar fotos e vídeos do que acontece.

Segundo uma carta dos internos difundida nesta quinta-feira, no serviço de inteligência (Sebin) há 10 presos com ordem de soltura, 43 com ordens de transferência, três sem julgamento e quatro menores.

Em vídeos e áudios enviados à AFP entre quarta e quinta-feira, dirigentes como o ex-prefeito Daniel Ceballos ou Villca Fernández reafirmaram que estão no "controle" de El Helicoide.

Também se vê homens abrindo suas celas, quebrando com paus as lâmpadas dos corredores, enquanto outros, com supostas ordens de soltura nas mãos, gritam "liberdade".

- "Isso não é um show" -

Nas redondezas de El Helicoide, familiares dos reclusos asseguraram nesta quinta-feira que não tinham podido comunicar-se com eles.

Patricia Gutiérrez, esposa de Ceballos, afirmou que os militares não puderam entrar nos porões e que a situação está em "tensa calma".

Em um vídeo difundido nas redes sociais, o americano Joshua Holt - um mórmon acusado de posse de armas de guerra e supostos planos para desestabilizar Maduro - aparece de pé dizendo que está bem.

"Só quero pedir mais uma vez a meu governo, a meu povo, a meus senadores, que por favor não me deixem só", pediu Holt.

Enquanto isso, Todd Robinson, encarregado de negócios dos Estados Unidos em Caracas, seguia à espera de informação oficial. "É responsabilidade do governo assegurar a segurança deles (...) Isso não é um show", disse à rede de televisão VivoPlay.

O número dois do chavismo, Diosdado Cabello, o havia acusado na quarta-feira de querer montar um espetáculo.

Holt "foi preso (...) fazendo espionagem para o governo dos Estados Unidos, eles sabem disso, e estão procurando uma desculpa para justificar outras coisas. Não têm nenhum tipo de escrúpulos, não lhes importa mandar fazer algo a seu povo para ter uma desculpa", denunciou Cabello.

- Sem informação oficial -

Maduro, em meio a uma intensa campanha para tentar a reeleição no domingo, não se pronunciou sobre os fatos. A coalizão opositora, Estados Unidos, a União Europeia e vários países não reconhecem as eleições por considerarem que elas não têm garantias.

Imagens de um dos opositores, Gregory Sanabria, com o rosto inchado e machucado, foram divulgadas na internet. A agressão - supostamente vinda de presos comuns - teria gerado o protesto, segundo Gutiérrez.

O Fórum Penal contabiliza 338 "presos políticos" venezuelanos. "Não sabemos o que acontece (em El Helicoide), não há informação oficial", disse nesta quinta-feira Alfredo Romero, diretor da ONG.

Em um comunicado, a Conferência Episcopal Venezuelana convocou as autoridades para "respeitar a vida" dos presos e "buscar uma saída pacífica".

Já o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos pediu no Twitter que as denúncias de "tortura e maus tratos" sejam investigadas, e considerou que "os prisioneiros políticos devem ser liberados".

Na mesma rede social, o presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, rejeitou "a violação contínua dos direitos humanos" na Venezuela.

A porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert, reiterou o pedido de libertação de Holt "por razões humanitárias", e insistiu em responsabilizar a Venezuela pela "segurança de todos ls detidos em seu sistema penitenciário, incluindo os cidadãos americanos".

"A embaixada dos Estados Unidos e o Departamento de Estado continuam pressionando as autoridades venezuelanas para que garantam a segurança dos cidadãos americanos que estão detidos na Venezuela", afirmou, sem informar o número de americanos privados de liberdade.

* AFP

 

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