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Washington16/05/2018 | 21h41

Nos EUA, as overdoses se igualam a acidentes como fontes de doação de órgãos

AFP
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Nos Estados Unidos as overdoses se igualam aos acidentes de trânsito como fontes de doações de órgãos, uma consequência da epidemia de drogas opioides na América do Norte.

Novos dados publicados nesta quarta-feira na revista médica New England Journal of Medicine confirmam o que as redes de doadores de órgãos já vinham observando há anos: que há cada vez mais casos de doações de órgãos de pessoas mortas pelo excesso no consumo de drogas.

Em 2000, esses casos totalizaram apenas 56; em 2016, foram mais de mil. Neste último ano, 1.356 doadores morreram em consequência de acidentes de trânsito.

Os mortos por overdose representam atualmente cerca de 14% dos doadores americanos, contra 1% antes do começo da epidemia de drogas opioides, considerada atualmente uma emergência nacional pelo Congresso e pelo governo do presidente Donald Trump.

O aumento do número total de doadores de órgãos que é registrado há cinco anos se deve, consequentemente, principalmente às overdoses, e não a avanços científicos ou a uma melhor coordenação, apontam os pesquisadores.

"O aumento é alimentado por uma crise", observa o médico do hospital de Boston Mandeep Mehra, coautor do estudo e docente na Universidade de Harvard.

Se o fenômeno é observado no Canadá - principalmente na Colúmbia Britânica, onde a crise de opioides surgiu em 2016 -, na Europa, é quase inexistente: lá, menos de 1% dos doadores de órgãos morreram por overdoses.

O fentanil, um poderoso analgésico sintético, e a heroína são os principais responsáveis por esta crise, assim como os analgésicos opioides com a oxicodona.

O número de mortes por overdoses de opioides quintuplicou entre 1999 e 2016 nos Estados Unidos, chegando a 42.000, segundo as autoridades de saúde.

Os médicos também analisaram a qualidade dos órgãos doados. O estudo confirmou que, um ano depois do transplante, não houve diferenças significativas de sobrevivência entre pacientes que receberam um coração ou pulmão de uma pessoa morta por overdose e aqueles que receberam esses órgãos de pessoas falecidas por outras causas.

Outro estudo, publicado em abril, concluiu que em alguns casos a taxa de sobrevivência chega a ser maior entre os que recebem órgãos de pessoas que morreram por overdose. Estes em geral sofriam menos de diabetes ou de hipertensão que os demais doadores.

"São até melhores doadores, porque infelizmente com frequência são mais jovens, estão relativamente em melhor estado de saúde e não sofrem de doenças vinculadas ao envelhecimento", disse à AFP David Klassen, diretor médico da rede que administra as doações de órgãos nos Estados Unidos.

As drogas são absorvidas pelo corpo muito rapidamente após serem injetadas, explica o médico, de modo que não existe perigo de que as substâncias tóxicas sejam transmitidas durante a operação de transplante.

* AFP

 

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