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Buenos Aires15/05/2018 | 17h41

Mercado cambial enfrenta vencimento de títulos argentinos com calma

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A desvalorização do peso argentino se acalmou nesta terça-feira (25), graças à intervenção do Banco Central, que usou vários recursos para impedir uma fuga maciça de capitais, coincidindo com o vencimento de títulos equivalentes a metade de suas reservas.

Nas casas de câmbio, o peso subiu 3,61% no fim do dia, com um taxa de 24,63 por dólar, um dia depois de ter recuado 6,23%. No mês, a moeda argentina perdeu 12,3% em relação à americana.

Nesta terça, vencem as letras do Banco Central por cerca de 650 bilhões de pesos (25 bilhões de dólares, na taxa desta terça), e o mercado foi tomado pela expectativa de saber se o órgão emissor conseguirá tentar os investidores com as taxas - já elevadas a 40% ao ano em 4 de maio.

Nem os diálogos para conseguir um auxílio financeiro do Fundo Monetário Internacional (FMI), nem o respaldo dos governos de Estados Unidos, China, Japão e Alemanha controlaram até então a corrida que teve início em março e se intensificou nas últimas semanas.

O Banco Central sacrificou mais de 10 bilhões de dólares de suas reservas, que fecharam na segunda-feira a 53,411 bilhões de dólares.

"Entendemos a angústia e medo que geram esses vai-e-vens (do mercado), mas há uma liderança necessária que toma as decisões para evitar a crise e continuar crescendo", disse nesta terça-feira Marcos Peña, chefe de Gabinete.

- Nervos mais calmos -

No fim da sessão, o BCRA parecia ter ganhado a briga entre o mercado.

Contudo, "é prematuro se aventurar, há que esperar vários dias para saber a corrida acabou", disse à AFP Eduardo Blasco, analista financeiro da Maxinver.

"Há alguns sinais de que os principais nervos estão mais calmos entre os grandes operadores", sustentou Blasco, mas "a angústia continua nos pequenos poupadores, que compram mesmo quando o dólar está subindo".

Na segunda e na terça, o Banco Central ofereceu uma forte intervenção. Mas, nesta segunda, acabou vendendo apenas 408 milhões de dólares.

A jogada do Banco Central "de oferecer 5 bilhões de dólares a 25 pesos parece ter rendido frutas", considerou Blasco.

O Banco ainda estimulou as taxas e se espera que sejam elevadas nesta terça a cerca de 50%.

"Faz parte do exercício, tem que por um taxa de câmbio que o mercado não considere atrasado e evite assim a migração maciça para o dólar", disse à AFP Ramiro Castiñeira, analista da Econométrica.

- Desconfiança -

O governo admitiu que a desconfiança é a base da reação dos mercados.

"A Argentina está em um escalão mais baixo da confiança", disse Peña.

"O FMI apoiou este programa econômico. Obviamente, se for haver uma demanda, mas não apenas do Fundo Monetário, também dos mercados, que deu este escalão mais baixo da confiança, nos comprometamos com uma aceleração de ir para a convergência fiscal. Essa é uma responsabilidade dos argentinos", apontou.

Nos últimos dias, o presidente teve reuniões emergenciais com câmaras empresariais, governantes opositores e referentes políticos em busca de respaldo.

"Estamos enfrentando um choque: neste período, vamos ter algo menos de crescimento e um pouco mais de inflação", admitiu o ministro da Fazenda Nicolás Dujovne.

A inflação da Argentina foi de 2,7% em abril, acumulando 9,6% no ano.

O governo estabeleceu 15% como meta de inflação para 2018, mas o FMI calcula 19% e analistas locais 25%.

Em 2017, o crescimento foi de 2,8% e este ano o FMI projetou 2%.

Organizações sociais e sindicais rejeitam a decisão do governo de recorrer ao FMI e reclamam uma mudança da política econômica que freie o ajuste em uma sociedade com profundas desigualdades e 25,7% de pobreza no fim de 2017.

- Sinal para o FMI -

O futuro da taxa de câmbio dependerá do comportamento dos detentores das Lebac, que vencem nesta terça.

O sinal será crucial para a Argentina que espera nesta sexta-feira uma reunião em Washington do FMI para analisar as negociações de um crédito de "stand by", cujo montante ainda não foi anunciado.

A economia argentina tem um déficit comercial estimado acima de 10 bilhões de dólares em 2018. O déficit fiscal é de quase quatro pontos do Produto Interno Bruto (PIB) e as necessidades financeiras anuais beiram os 30 bilhões de dólares.

* AFP

 

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