Investigação sobre complô russo nos EUA faz um ano e se aproxima de Trump - Mundo - A Notícia

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Washington16/05/2018 | 18h16

Investigação sobre complô russo nos EUA faz um ano e se aproxima de Trump

AFP
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A investigação nos Estados Unidos sobre uma possível ingerência russa na campanha eleitoral que levou Donald Trump à Casa Branca completa um ano e se aproxima de forma ameaçado do próprio presidente.

Desde sua nomeação, em 17 de maio de 2017, o procurador-especial Robert Mueller, a cargo da investigação, não deu uma palavra sobre o seu trabalho, que Trump denuncia reiteradamente como uma "caça às bruxas".

Mas depois de apresentar 22 acusações contra várias pessoas, entre elas o ex-assessor de segurança nacional de Trump, Michael Flynn, e o ex-presidente da campanha, Paul Manafort, não há dúvidas de aonde se dirige.

A Casa Branca demonstra clara preocupação com o que Mueller possa saber. Quase todos no entorno de Trump, inclusive seus familiares, contrataram advogados pessoais.

Os republicanos, que além do Executivo controlam o Congresso, também querem que a investigação se encerre logo. Caso contrário, poderiam perder sua apólice de seguro contra um possível impeachment caso a oposição democrata vença as legislativas de meio de mandato, em novembro.

O vice-presidente Mike Pence disse à NBC na semana passada que a investigação deveria terminar. "Cooperamos completamente e pelo interesse do país, acho que é hora de concluí-la", disse.

Trump esperava terminar com essa investigação em 9 de maio do ano passado, quando demitiu o então diretor do FBI, James Comey.

Mas o tiro saiu pela culatra. O vice-procurador-geral Rod Rosenstein pôs a investigação nas mãos de um procurador independente e intocável: um alto e taciturno ex-fuzileiro naval e ex-diretor do FBI de 73 anos, que recebeu carta branca.

Desde então, Mueller interrogou dezenas de pessoas próximas a Trump, funcionários e cidadãos estrangeiros, incluindo Comey, Rosenstein, o procurador-geral Jeff Sessions, o genro de Trump Jared Kushner, o ex-diretor da CIA Mike Pompeo e o advogado da Casa Branca Don McGahn.

- À espreita da Casa Branca -

Embora ninguém na equipe de Mueller tenha explicado sua linha de trabalho, cada passo tornado público mostra que se aproxima da Casa Branca.

O primeiro foi a batida que o FBI fez na casa de Manafort em 26 de julho passado. Manafort foi indiciado em 30 de outubro por lavagem de dinheiro, sonegação de impostos e fraude bancária.

No mesmo dia, George Papadopoulos, um jovem assessor de assuntos internacionais da campanha de Trump, foi acusado se declarou culpado de mentir aos investigadores, em um indício claro de um acordo para cooperar com a equipe de Mueller.

Em 1º de dezembro, Flynn, membro-chave da equipe de campanha de Trump, também se declarou culpado de mentir, o que indica que ele também está colaborando com Mueller.

Um quarto evento crucial foi a batida do FBI em 9 de abril passado na residência e escritório de Nova York do advogado pessoal de Trump, Michael Cohen, no âmbito de outra investigação do Departamento de Justiça sobre seus negócios, pagamentos ocultos a mulheres que supostamente tiveram relações com Trump, e outros assuntos.

Muitos especulam que Cohen poderia ser obrigado a "entregar" seu ex-chefe e apresentar provas à equipe de Mueller.

Trump tentou demitir Mueller, Rosenstein e Sessions várias vezes no ano passado, mas seus assessores o impediram, segundo vários informes da imprensa.

O presidente também mudou várias vezes de equipe de advogados, à qual se somou recentemente o ex-prefeito de Nova York Rudy Giuliani, antecipando turbulências sobre a estratégia legal.

- As perguntas de Mueller -

Agora, Mueller pediu para entrevistar Trump. Até o momento, a Casa Branca não aceitou, sugerindo que vê riscos ao fazê-lo.

Uma lista de perguntas que a equipe de Mueller propôs à Casa Branca, vazada à imprensa dias atrás, poderia explicar o porquê.

As perguntas indicam que Mueller está estudando uma possível obstrução da justiça por parte de Trump, inclusive a demissão de Comey e tentativas de proteger Flynn.

Mueller também parece suspeitar que Trump sabia de uma série de contatos entre seu pessoal, inclusive seus familiares, e cidadãos russos durante a campanha de 2016.

O procurador-especial também tem questionamentos sobre os negócios de Trump.

Tudo isto poderia levar a uma batalha legal, mas Trump cada vez parece mais concentrado em como a votação de novembro poderia determinar seu destino.

Os republicanos intensificaram os esforços nas últimas semanas para convencer os eleitores de que a investigação de Mueller é viciada em parcial.

"Grande parte da animosidade com a Rússia é causada pela Investigação Falsa e Corrupta sobre a Rússia, encabeçada por todos os leais democratas ou pessoas que trabalharam para Obama. Mueller é o mais conflituoso de todos", alegou Trump em um tuíte publicado no mês passado.

* AFP

 

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