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Washington17/05/2018 | 18h36

EUA e China retomam negociações comerciais cruciais

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, jogou um balde de água fria sobre a possibilidade de um acordo rápido com a China. Pequim enviou uma delegação a Washington nesta quinta para negociar e tentar evitar uma guerra comercial entre duas maiores economias mundiais.

"Tendo a duvidar disso", disse Trump a jornalistas que perguntaram se um acordo seria alcançado. "A China ficou muito mimada [...] porque sempre teve 100% do que pede aos Estados Unidos", criticou.

Trump falou pouco antes de se reunir com o vice-primeiro-ministro chinês Liu He, que lidera a missão enviada por Pequim para negociar com os Estados Unidos.

O presidente fez mais uma série de críticas aos governos anteriores acusados de aceitar que a China se aproveitasse dos Estados Unidos.

"Fomos explorados pela China. E como nunca se viu, foi provocada uma evacuação de riqueza de um país para o outro, que se reconstruir a base de dinheiro retirado dos Estados Unidos", disse.

"O comércio foi uma via de mão única", insistiu. "E já expliquei ao presidente (da China) Xi (Jinping) que não podemos mais fazer isso", destacou.

Trump também foi duro com a União Europeia (UE), com a qual está negociando após Washington ordenar a imposição de tarifas sobre importações de aço e alumínio.

"A União Europeia foi terrível com os Estados Unidos em matéria de comércio", disse. "Foi terrível com nossos trabalhadores", afirmou.

Washington e Pequim retomaram, nesta quinta-feira, delicadas negociações comerciais, sob ameaça da possível entrada em vigor, daqui a menos de uma semana, de sanções americanas, que relançariam o fantasma de uma guerra comercial.

"Essas reuniões são o prolongamento das discussões desenvolvidas em Pequim há duas semanas e se centram no reequilíbrio das relações econômicas"bilaterais, afirmou a Casa Branca, que exige da China uma redução em 200 bilhões de dólares de um déficit comercial que, em 2017, alcançou os 375 bilhões.

O secretário do Tesouro Steven Mnuchin vai liderar a delegação americana que, durante quinta e sexta-feira, se reunirá com autoridades chinesas lideradas pelo vice-primeiro-ministro Liu He, considerado condutor da política econômica do gigante asiático.

Washington ameaçou impor tarifas de 150 bilhões sobre produtos chineses, por considerar que Pequim se envolve em práticas comerciais injustas e viola os direitos de propriedade intelectual.

A China respondeu ameaçando taxar a importação de bens americanos em 50 bilhões de dólares.

- Reuniões cruciais -

O prazo de consulta sobre a lista de produtos chineses que seriam afetados por essas novas taxas vence em 22 de maio. Se antes dessa data ambos os países não chegarem a um acordo sobre o reequilíbrio da balança comercial, as ameaças do governo de Trump se concretizaram.

A China já anunciou que neste caso aplicará medidas de represália equivalentes, que concentrariam em produtos agrícolas, especialmente a soja, um bem muito dependente do mercado asiático e cuja produção se concentra em estados favoráveis ao presidente republicano.

As reuniões de quarta e quinta-feira se tornam, então, cruciais para evitar uma guerra comercial entre as duas potências, um confronto que, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), poderia ter repercussões negativas sobre o crescimento da economia mundial.

"A boa saúde do comércio internacional contribuiu recentemente para o fortalecimento do crescimento econômico mundial, mas o ressurgimento do protecionismo ameaça atrapalhar esse momento positivo", alertou a diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, nesta segunda-feira.

* AFP

 

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