Conselho de Segurança da ONU paralisado diante de violência em Gaza - Mundo - A Notícia

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Nações Unidas15/05/2018 | 19h16

Conselho de Segurança da ONU paralisado diante de violência em Gaza

AFP
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O Kuwait anunciou nesta terça-feira (15) que prepara um projeto de resolução para proteger os civis palestinos na Faixa de Gaza, durante uma reunião de urgência do Conselho de Segurança da ONU, na qual os Estados Unidos defenderam a "moderação" de Israel diante dos manifestantes.

A reunião na sede da ONU, em Nova York, começou com um minuto de silêncio em homenagem aos 60 palestinos falecidos na segunda-feira, a maioria morta a tiros pelo Exército israelense no dia mais sangrento na Faixa de Gaza desde 2014.

Os representantes de 15 países árabes entraram na reunião pedindo uma "investigação independente e transparente" dos "crimes" israelenses e proteção ao povo palestino.

Grã-Bretanha e Alemanha apoiaram uma investigação independente sobre a violência em Gaza, mas os Estados Unidos bloquearam na segunda-feira a adoção de uma declaração do Conselho de Segurança neste sentido.

O Kuwait, único país árabe com assento, ainda que não permanente, no colegiado, assegurou que tinha a intenção de apresentar, entre terça e quarta-feira, um projeto de resolução para oferecer proteção "internacional para os civis" palestinos, afirmou o embaixador do país na ONU, Mansur al Otaib.

Os cinco países europeus com assento no Conselho de Segurança (Suécia, França, Reino Unido, Polônia e Holanda), apoiados por Alemanha, Bélgica e Itália, pediram "contenção" e "respeito dos direitos humanos" a Israel.

Desde dezembro, quando Donald Trump anunciou a intenção de transferir a embaixada em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, a posição dos membros do Conselho mostrou o forte isolamento dos Estados Unidos no cenário internacional em relação ao conflito israelense-palestino.

-Palestinos enfurecidos-

As mortes ofuscaram a abertura da nova embaixada americana em Jerusalém, uma promessa de campanha de Trump, cuja filha, Ivanka, assistiu à cerimônia inaugural.

A mudança da missão diplomática, que reforçou o reconhecimento americano de Jerusalém como a capital de Israel, enfureceu os palestinos.

O status da Cidade santa é, talvez, o problema mais espinhoso do conflito israelense-palestino. Israel considera a cidade inteira sua capital, enquanto os palestinos veem Jerusalém oriental como a capital de seu futuro Estado.

"Este ciclo de violência em Gaza tem que acabar", afirmou Nickolay Mladenov, coordenador especial da ONU no processo de paz do Oriente Médio.

Mladenov advertiu ao Conselho em Jerusalém - por videoconferência - que se não se der fim à violência na região, esta poderia "explodir e arrastar" todos para outro "confronto mortal".

- "O Hamas está satisfeito" -

Em Washington, o Departamento de Estado afirmou que a inauguração da embaixada americana em Jerusalém serviu de "pretexto" do Hamas para "estimular a violência".

Mais cedo, a embaixadora dos Estados Unidos, Nikki Haley, condenou a provocação do Hamas e assegurou que seu aliado israelense agiu com moderação.

"Nenhum país nesta câmara atuaria com mais moderação que Israel", afirmou Haley ao Conselho de Segurança. "De fato, os registros de vários países aqui sugerem que seriam menos moderados", disse.

Para a diplomata, sugerir que a violência teve algo a ver com a transferência da embaixada dos Estados Unidos foi uma cortina de fumaça.

"A organização terrorista Hamas incita a violência há anos, muito antes de os Estados Unidos decidirem transferir sua embaixada", alegou. "Não se enganem, o Hamas está satisfeito com os resultados de ontem (segunda)", acrescentou, embora tenha condenado "a perda de vidas humanas".

O embaixador palestino na ONU, Riyad Mansour, exigiu "deter o massacre contra o povo palestino". "Não acabem com as esperanças dos palestinos", pediu ao Conselho de Segurança, condenando sua "paralisia".

"Durante um mês, Israel enfrenta revoltas, e não manifestações ou protestos", cujo objetivo é cruzar a fronteira para "matar os israelenses", denunciou o embaixador de Israel na ONU, Danny Danon, que depois da saída de Nikki Haley da sala, acusou o Hamas de promover a violência.

* AFP

 

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