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Gaza15/05/2018 | 16h16

Confira as chaves para entender os protestos em Gaza

AFP
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A Faixa de Gaza é, desde 30 de março, cenário do movimento "A marcha do retorno", que acabou na segunda-feira (14) com confrontos nos quais cerca de 60 palestinos morreram atingidos por disparos israelenses.

Veja a seguir algumas chaves para entender o conflito:

Por que este movimento começou?

Visa a defender o "direito ao regresso", a reivindicação dos palestino de voltar às terras das quais fugiram, ou foram expulsos, com a criação de Israel, em 1948. Desde 30 de março, "a grande marcha do retorno" teve a adesão de milhares e até dezenas de milhares de palestinos que foram até a fronteira israelense.

O movimento também se propôs a denunciar o bloqueio imposto há mais de 10 anos à Faixa de Gaza por Israel para conter o movimento islamita Hamas, que controla o poder do enclave e que travou três guerras.

A mobilização é originada pela contínua deterioração das condições de vida em Gaza, território atingido por guerras, pobreza, desemprego, escassez e bloqueio.

A inauguração da embaixada dos Estados Unidos em Jerusalém na segunda-feira colocou mais lenha na fogueira.

O que acontece na fronteira?

Multidões de manifestantes, homens, mulheres e crianças, convergem em vários pontos da fronteira entre Gaza e Israel. O maior número de pessoas se concentra a uma pequena distância da barreira de segurança, fortemente custodiada pelo Exército israelense. Mas alguns grupos vão se aproximando à medida que a fumaça espessa e os pneus queimados começam a criar uma grande cortina. Lançam contra os soldados pedras e garrafas incendiárias, além de outros objetos.

As pipas que levam garrafas incendiárias para o outro lado da barreira se tornaram um dos símbolos do protesto. Os soldados israelenses respondem com gás lacrimogêneo e meios antidistúrbios, usando munição letal contra os palestinos que consideram uma maior ameaça.

O Exército israelense diz temer um cenário de pesadelo se os palestinos conseguirem se infiltrar em Israel para atacar a população civil, ou inclusive sequestrar alguns soldados.

Israel, acusado de fazer um uso excessivo da força, declara que dispara munição letal apenas como último recurso. Mas reitera que protegerá de todas as formas a barreira, seus soldados e seu povo.

Desde 30 de março, 114 palestinos morreram, praticamente todos por disparos israelenses na fronteira.

De quem é a culpa?

Supõe-se que a mobilização tenha começado por iniciativa da sociedade civil. Mas o Hamas se envolveu cada vez mais, ao menos em seu acompanhamento, no curso das últimas semanas. O grupo islamita proclama que o movimento é pacífico. Os milhares de membros de suas forças armadas não pegaram em armas abertamente.

Entretanto, Israel acusa o Hamas de usar os protestos para infiltrar homens armados vestidos de civis entre os manifestantes e tentar penetrar em seu território, ou colocar artefatos explosivos na barreira fronteiriça.

Além da resposta imediata aos distúrbios, Israel começou a atacar as posições do Hamas com sua artilharia e Força Aérea, seguindo o princípio de que o movimento islamita é responsável por tudo o que está acontecendo em seu território.

Reagindo às dezenas de mortes de segunda-feira, a Autoridade Palestina acusou Israel de executar um "massacre".

Os Estados Unidos, aliado de Israel, acusaram o Hamas de "provocar intencional e cinicamente" a reação israelense.

O que a comunidade internacional diz?

O Conselho de Segurança da ONU se reuniu nesta terça-feira para abordar a violência em Gaza, a pedido do Kuwait. Lá, a embaixadora dos Estados Unidos, Nikki Haley, disse que Israel agiu com "moderação" em Gaza.

A Liga Árabe se reunirá na quarta-feira para tratar este tema.

Turquia e África do Sul chamaram seus embaixadores em Israel para consulta. A Irlanda convocou em Dublin o embaixador israelense, sendo o primeiro país da União Europeia a fazê-lo.

O presidente francês, Emmanuel Macron, condenou a "violência das Forças Armadas israelenses". União Europeia e Londres pediram calma e, assim como Pequim, se dirigiram sobretudo ao uso da força desproporcional por parte de Israel.

Na segunda-feira à noite, os Estados Unidos bloquearam a adoção de um comunicado do Conselho de Segurança que buscava expressar sua indignação "frente a morte de civis palestinos que exerciam seu direito de se manifestar pacificamente".

E agora?

O Hamas indicou que o movimento continuará. Khalil al-Hayya, funcionário de alto escalão, insinuou que os grupos armados, oficialmente isolados da mobilização, podem interferir, mas sem ser possível avaliar a gravidade da ameaça.

O Exército israelense disse que está pronto para continuar respondendo.

É difícil prever a evolução da situação. O Ramadã começa na quarta ou quinta-feira. O impacto que poderia ter o mês do jejum, tradicionalmente sinônimo de uma desaceleração nas atividades, não se pode medir.

* AFP

 

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