Comitê de Inteligência do Senado apoia indicada por Trump para CIA - Mundo - A Notícia

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Washington16/05/2018 | 11h56

Comitê de Inteligência do Senado apoia indicada por Trump para CIA

AFP
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Apesar da polêmica pela suposta relação com a prática de tortura, o Comitê de Inteligência do Senado americano aprovou, nesta quarta-feira (16), a indicação de Gina Haspel para o cargo de diretora da Agência Central de Inteligência (CIA) - informou a comissão.

O presidente do Comitê, Richard Burr, e seu adjunto, Mark Warner, indicaram que a nomeação de Haspel, promovida pelo presidente Donald Trump, recebeu um voto favorável de 10-5 e passa agora para o plenário do Senado para sua confirmação.

Haspel é atualmente diretora interina da CIA, desde que o último diretor, Mike Pompeo, tornou-se secretário de Estado.

O processo de discussão sobre a nomeação de Haspel atraiu grande atenção pública em razão da polêmica em torno da aplicação por ela de técnicas de interrogatório na década passada, consideradas como tortura pelo próprio Senado.

De acordo com o senador conservador Burr, Haspel "é a pessoa mais qualificada que o presidente poderia escolher para liderar a Agência e a candidata mais bem preparada nos 70 anos da agência".

Já o senador democrata Warner disse estar convencido de que Haspel "é alguém que se levantará e confrontará o presidente se ele ordenar que ela faça algo ilegal, ou imoral, como voltar a torturar".

O longo processo de análise da nomeação de Haspel colocou a prática da tortura pelas forças de segurança, incluindo a CIA, no centro das discussões.

Durante a audiência pública perante o Comitê de Inteligência, em 9 de maio, Haspel assegurou que a agência de Inteligência não retomará os programas de tortura de prisioneiros sob sua liderança.

"Por ter servido neste período conturbado, posso oferecer meu compromisso pessoal, claro e sem reserva de que, sob a minha liderança na CIA, não será restabelecido tal programa de detenção e interrogatórios", garantiu.

"Em retrospecto, está claro que a CIA não estava preparada para conduzir um programa de detenções e interrogatórios", acrescentou.

Oficialmente, o programa era definido como "interrogatório melhorado" e recebeu apoio do sistema judicial americano durante o governo de George W. Bush. Seus encarregados se negam, inclusive, a mencionar a palavra "tortura".

Apesar do compromisso assumido, Haspel se recusou a condenar o uso dessas técnicas de tortura contra cidadãos estrangeiros suspeitos de serem "combatentes" contra os Estados Unidos.

Além disso - justificou -, este programa de torturas ajudou a obter "informação valiosa", que permitiu desarticular tentativas de atentados em território americano.

Essas torturas foram realizadas em centros de detenção secretos que as forças de segurança americanas mantinham em vários países ao redor do mundo.

Na longa e controversa audiência, Haspel até se recusou a pronunciar a palavra "tortura" e se referiu simplesmente a um "programa de detenção de interrogatórios".

* AFP

 

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