Síria e Venezuela monopolizam debates na Cúpula das Américas - Mundo - A Notícia

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Lima14/04/2018 | 16h48

Síria e Venezuela monopolizam debates na Cúpula das Américas

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O temor de uma escalada militar no Oriente Médio após os ataques seletivos dos Estados Unidos na Síria e a situação da Venezuela monopolizaram a atenção da Cúpula das Américas, que se comprometeu a lutar contra a corrupção.

A maior parte dos governantes da região manifestou a sua preocupação pelo uso de armas químicas e alertou do risco de uma escalada no Oriente Médio, após o bombardeio ordenado na sexta-feira à noite pelo presidente americano, Donald Trump, contra alvos específicos do regime de Bashar al-Assad na Síria.

"O presidente (Donald) Trump deixou claro que os Estados Unidos não tolerarão o uso de armas químicas contra homens, mulheres e crianças", disse o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, em suas primeiras declarações públicas em Lima sobre o ataque coordenado com França e Grã-Bretanha na Síria.

Ausente em Lima, o grande protagonista desta 8ª Cúpula das Américas foi o presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

A falta de democracia na Venezuela foi objeto de condenação e preocupação de boa parte dos países participantes, e houve clamor para que Maduro permita a entrada de ajuda.

Diante da impossibilidade de entrar em acordo para redigir na declaração da Cúpula uma condenação ao governo venezuelano e desconhecer as eleições de maio convocadas por Maduro, como vários países anunciaram, os 14 países do Grupo de Lima preparavam uma declaração independente.

De forma mais consensual, os governantes que participam da Cúpula em Lima aprovaram um "compromisso" contra a corrupção, tema principal deste encontro.

"Adotemos ao início desta reunião o Compromisso de Lima 'Governabilidade Democrática Contra a Corrupção'" para "expressar a firme vontade" de acabar com esse flagelo, disse o presidente peruano, Martín Vizcarra, ao abrir a primeira sessão plenária da Cúpula.

Imediatamente, os presidentes aprovaram por aclamação esse documento, algo que tradicionalmente é feito ao fim de uma reunião e não em sua primeira sessão de trabalho.

O documento de 57 pontos, que não tem poder vinculante, mas fixa uma meta a ser alcançada por todos, havia sido acordado na sexta-feira em uma reunião de chanceleres, após ser negociado pelos países americanos durante sete meses.

O compromisso contempla "avançar na luta contra a corrupção, em particular a prevenção e o combate dos subornos a funcionários públicos nacionais e estrangeiros", e "adotar um marco legal para responsabilizar as pessoas jurídicas (entidades, empresas) por atos de corrupção".

Também "promove a inclusão de cláusulas anticorrupção em todos os contratos do Estado (...) e estabelece registros de pessoas naturais e jurídicas vinculadas com atos de corrupção e lavagem de dinheiro para evitar sua contratação".

Propõe "medidas que promovam a transparência" nos gastos dos partidos políticos, "principalmente de suas campanhas eleitorais, garantindo a origem lícita das contribuições, assim como sanções pela recepção de aportes ilícitos".

"Reitero a convocação para conformar uma aliança regional contra a corrupção. E uma política de tolerância zero frente os corruptos", afirmou Vizcarra.

"O Peru assumiu o desafio da luta frontal contra a corrupção. Essa é a prioridade do meu governo", acrescentou, em alusão a sua chegada ao poder há três semanas, após a renúncia de Pedro Pablo Kuczynski, envolvido em denúncias de corrupção.

Na sexta-feira, o Trump, que não foi a Lima para preparar uma resposta ao suposto uso de armas químicas pelo governo de Bashar al-Assad, ordenou atacar vários alvos sensíveis na Síria em coordenação com França e Grã-Bretanha, contando com o apoio da Otan.

Depois de aprovarem o compromisso contra a corrupção, os presidentes visitantes começaram seus discursos.

Neste sábado à tarde, Pence teve uma agenda cheia de reuniões bilaterais à margem do evento com os presidentes de Peru, Canadá, México, Colômbia, Argentina, Chile, e uma reunião multilateral com os líderes do Caribe.

A Cúpula termina neste sábado e, além da luta contra a corrupção, os presidentes poderiam discutir sobre a situação na Venezuela e um pedido americano para aumentar as sanções contra o governo de Nicolás Maduro.

* AFP

 

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