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Santiago13/04/2018 | 18h59

Bispos chilenos reconhecem 'dor e vergonha' por casos de pedofilia

AFP
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Os bispos chilenos expressaram, nesta sexta-feira, sua "dor e vergonha" pelos casos de pedofilia na Igreja local, após o recente pedido de perdão do papa Francisco pelos "graves equívocos de avaliação" das denúncias.

Ao final de uma assembleia plenária da Conferência Episcopal do Chile dois dias depois do novo pronunciamento do papa sobre este tema, os bispos emitiram uma declaração em que expressaram compartilhar a dor do pontífice e asseguraram que se encarregarão "dos erros que correspondam".

"Acolhemos esta carta com fé e obediência filial. Junto ao papa, sentimos dor e vergonha porque, apesar das ações realizadas estes anos, não conseguimos fazer com que as feridas dos abusos sanassem nos corações de muitas vítimas, e continuam sendo uma 'chaga' aberta no coração da Igreja no Chile", disse a declaração.

Através de uma carta, divulgada na quarta-feira pelo Vaticano e o Episcopado chileno, o papa convocou a Roma os bispos chilenos para "dialogar sobre as conclusões" da recente missão do Vaticano para investigar as denúncias de pedofilia e encobrimento no interior da igreja local.

Nessa carta "Francisco abre seu coração ante a dor abrumadora dos abusos informados pelo seus enviados especiais e nos convoca a Roma para dialogar com ele", acrescenta o texto dos bispos chilenos.

O arcebispo de Malta, Charles Scicluna, foi enviado ao Chile em fevereiro pelo papa Francisco para ouvir depoimentos sobre o suposto encobrimento de abusos sexuais pelo bispo da cidade de Osorno (sul), Juan Barros, mas depois incluiu conversas com vítimas de pedofilia em colégios da Congregação Marista.

Barros é acusado de encobrir os abusos sexuais reiterados do influente sacerdote Fernando Karadima, condenado pelo Vaticano em 2011 a uma "vida de oração e penitência" depois que a Justiça local declarou prescritas as acusações de abuso sexual.

Ao retornar à Santa Sé, Scicluna entregou um relatório de sua visita a Francisco.

Na carta, o papa assinala que, após uma leitura atenta das atas desse processo de escuta, "acho que posso afirmar que todas os depoimentos coletados falam de uma maneira crua, sem aditivos ou adoçantes, de muitas vidas crucificadas e confesso que isso me causa dor e vergonha".

No texto, Francisco também reconhece que "incorreu em graves equívocos de avaliação e percepção da situação, especialmente devido à falta de informações verdadeiras e equilibradas".

* AFP

 
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