As crises entre Rússia e Ocidente desde o fim da Guerra Fria - Mundo - A Notícia

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Paris14/04/2018 | 13h09

As crises entre Rússia e Ocidente desde o fim da Guerra Fria

AFP
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A Rússia e o Ocidente, cujo confronto na Síria entra em uma nova etapa com os bombardeios dos Estados Unidos, França e Reino Unido, viveram vários momentos de tensão desde a queda da União Soviética em 1991.

Se, em um primeiro momento, reinaram expectativas positivas entre Estados Unidos e União Europeia de um lado e, do outro, uma Rússia muito enfraquecida, as primeiras crises não tardaram a surgir no final dos anos 1990, sem jamais levar a uma ruptura completa.

- Guerra no Kosovo -

Em face do agravamento da repressão sérvia no Kosovo contra os separatistas albaneses, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) iniciou em março de 1999 uma campanha de bombardeios de 78 dias, forçando a Sérvia, aliada de Moscou, a se retirar do Kosovo.

A Rússia, que ameaçou a Otan com um "retorno à Guerra Fria" em caso de intervenção no Kosovo, congelou a cooperação militar com a Aliança Atlântica.

A tensão renasce com a independência do Kosovo (17 de fevereiro de 2008), não reconhecida por Moscou.

- Expansão da Otan para o Leste -

A Otan recebe a adesão em 1999 de três antigos membros do Pacto de Varsóvia (Hungria, República Checa e Polônia).

Moscou adverte contra a admissão de ex-repúblicas soviéticas.

Em 2004, porém, a Otan dá as boas-vindas aos países bálticos (Estônia, Lituânia, Letônia), bem como à Bulgária, Romênia, Eslováquia e Eslovênia.

E, em 2004 e em 2007, a União Europeia integra todos esses países.

- Escudo antimísseis -

Moscou se preocupa com um projeto de escudo antimísseis lançado em 2010 pela Otan, que deve estar operacional até 2020 com interceptores na Romênia e na Polônia, oficialmente com um objetivo defensivo contra o Irã.

- Conflito na Geórgia -

Em agosto de 2008, em resposta à intervenção da Geórgia contra a região separatista da Ossétia do Sul, a Rússia bombardeou a capital da Geórgia, Tbilisi, e ocupou grande parte do território, provocando protestos ocidentais.

Um acordo de paz negociado pelo então presidente francês, Nicolas Sarkozy, resulta na retirada das tropas russas, mas Moscou reconhece as regiões separatistas da Ossétia do Sul e da Abkházia e mantém uma forte presença militar no país.

Depois da guerra russo-georgiana, a Otan suspende até 2009 o Conselho Otan-Rússia, um fórum de diálogo criado em 2002.

- Crise ucraniana -

Em 2014, a Ucrânia assistiu impotente à anexação por Moscou de sua península da Crimeia e, em seguida, à tomada de controle por manifestantes pró-russos de edifícios oficiais em Donetsk e Lugansk, no leste do país.

Esta crise provoca a adoção pelos Estados Unidos e pela UE de sanções contra a Rússia.

A Otan suspende sua cooperação civil e militar com Moscou, e os Aliados decidem colocar suas tropas em alerta.

Além disso, a Otan mobiliza batalhões nos países bálticos e na Polônia.

- Suspeitas de ingerência -

As relações entre Washington e Moscou estão em um nível crítico há vários meses em razão das acusações de interferência russa na eleição presidencial americana de 2016 e das suspeitas de conluio entre a equipe de campanha de Trump e o Kremlin de Vladimir Putin.

- Acusação de envenenamento -

O envenenamento em 4 de março no sul da Inglaterra do ex-espião russo Serguei Skripal e sua filha, Yulia, atribuído a Moscou por Londres, causa uma séria crise diplomática.

Os países ocidentais expulsam cerca de 150 diplomatas russos, e Moscou expulsa, por sua vez, 150 diplomatas ocidentais.

- O conflito sírio -

Desde o início do conflito em 2011, a Rússia apoia o regime do presidente Bashar al-Assad, impondo na ONU 12 vetos a projetos de resolução dos Ocidentais, que ficam limitados a condenações verbais.

A partir de outubro de 2015, a Rússia intervém militarmente no terreno, dando vantagem a Damasco.

Mas, em abril de 2017, após um ataque químico em Khan Sheikhun, o presidente Donald Trump bombardeia uma base aérea síria, levando os russos a suspenderem o canal de comunicação com os militares americanos sobre a Síria.

Um ano mais tarde, em 14 de abril de 2018, uma semana depois de um novo suposto ataque químico em Duma, perto de Damasco, Estados Unidos, França e Reino Unido bombardeiam alvos precisos na Síria.

Estes ataques são um "insulto" ao presidente russo Vladimir Putin, afirmou o embaixador russo nos Estados Unidos.

De acordo com o comandante do Estado-Maior americano, os aliados evitaram atingir as forças russas na Síria, embora Moscou não tenha sido alertada sobre quais seriam os alvos.

* AFP

 

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