Turquia quer cercar totalmente cidade curda de Afrin na Síria - Mundo - A Notícia

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Beirute14/03/2018 | 10h59

Turquia quer cercar totalmente cidade curda de Afrin na Síria

AFP
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O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, disse nesta quarta-feira esperar que até à noite a cidade síria de Afrin esteja totalmente cercada, conforme garantiu uma fonte presidencial, esclarecendo a declaração oficial feita antes pelo próprio, ao comentar a operação militar em curso.

Lançada em 20 de janeiro passado pela Turquia, essa operação tem como objetivo expulsar a milícia curda Unidades de Proteção Popular (YPG).

Diante da possibilidade de um cerco ou ofensiva nesta cidade de 350.000 habitantes, muitos civis tentavam fugir da localidade - que está sem água e eletricidade - ou se abastecer de alimentos e medicamentos, fazendo temer uma nova tragédia humanitária na Síria.

A população civil é quem mais tem sofrido nesses sete anos de guerra que devasta um país.

No enclave rebelde de Ghuta Oriental, último reduto insurgente nos arredores de Damasco, a população está cada vez mais sufocada pela ofensiva do regime de Bashar Al-Assad, lançada em fevereiro e que prossegue com bombardeios e um cerco.

Nesta quarta-feira, novas evacuações de civis feridos foram efetuadas, no dia seguinte a uma primeira operação similar. A ONU advertiu recentemente sobre a situação de 1.000 pessoas que deveriam sair urgentemente do enclave rebelde "por razões médicas".

No noroeste da Síria, o exército turco e rebeldes sírios praticamente cercaram a cidade de Afrin, principal alvo de sua ofensiva no reduto das YPG.

Considerada um grupo "terrorista" por Ancara, esta milícia curda é uma importante aliada de Washington e dos Ocidentais na luta contra os extremistas islâmicos na Síria.

"Nos aproximamos um pouco de Afrin. Espero, se Deus quiser, que Afrin tenha caído por completo até esta noite", declarou nesta quarta o presidente Erdogan em um discurso transmitido pela televisão.

A presidência turca se apressou em amenizar suas palavras, assegurando que o presidente quis dizer é que ele espera que "o cerco (a Afrin) esteja totalmente concluído até a noite desta quarta-feira".

"Parece que [...] Erdogan está sonhando acordado quando diz que Afrin cairá esta noite", reagiu Redur Khalil, porta-voz das YPG.

O Observatório Sírio dos Direitos Humanos disse nesta quarta-feira que dez combatentes pró-regime morreram em bombardeios aéreos turcos contra um posto de controle na única rota que une Afrin com o território adjacente sob controle do governo Bashar al-Assad.

"As rotas usadas no leste pelos terroristas para entrar e sair da região vão ser fechadas hoje, ou amanhã", acrescentou Erdogan nesta quarta.

O presidente turco reiterou que, depois de Afrin, a Turquia "limpará" as outras cidades controladas pelas YPG no norte da Síria, como Manbij, onde também há soldados americanos.

Ontem, o Exército turco anunciou que suspendeu o cerco a Afrin.

A Turquia acusa as YPG de terem vínculos com o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), a organização armada dos curdos turcos que fazia uma guerra de guerrilhas.

Nesta quarta-feira, o chefe da diplomacia turca, Mevlüt Cavusoglu, encontrará o russo Serguei Lavrov em Moscou, aliado do regime sírio que denunciou a ofensiva turca.

Iniciada em 15 de março de 2011 por protestos pró-democracia reprimidos violentamente pelo regime, o conflito na Síria tornou-se mais complexo ao longo dos anos com o envolvimento de potências estrangeiras.

Na quinta-feira, o país marcará o sétimo aniversário desta guerra que deixou mais de 350 mil mortos.

* AFP

 

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