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Moscou13/03/2018 | 09h39

Putin, odiado no Ocidente e adorado na Rússia

AFP
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Detestado no Ocidente, onde é acusado de anexar territórios e interferir nas eleições em outros países, Vladimir Putin é um presidente amado e muito apoiado na Rússia, e sem dúvida conquistará um novo mandato nas eleições do próximo domingo.

De acordo com o instituto público VTSIOM, Putin teria 70% das intenções de voto, embora seus opositores denunciem que ele consolidou seu poder controlando a mídia e reduzindo as liberdades públicas durante seus 18 anos no poder.

Seu principal opositor, Alexei Navalni, foi declarado inelegível até 2024 por suas condenações judiciais, organizadas de acordo com ele pelo Kremlin.

Mas, para milhões de russos, Vladimir Putin é o homem que trouxe estabilidade ao país após o caos político e econômico da década de 1990 e restaurou a autoridade e o papel de Moscou na arena internacional, perdidos após a humilhante queda da URSS.

"Putin é um espelho e todos veem nele o que deseja", afirma à AFP o analista político Konstantin Kalatshev. "Para alguns, é o homem que recolou a Rússia nos trilhos, restaurou as Forças Armadas e a indústria militar. Para outros, melhorou o padrão de vida e se certificou que recebessem suas aposentadorias".

Mas, para muitos países ocidentais, é o contrário. Putin lidera as manchetes geralmente como o representante do mal absoluto.

"O fato de ser considerado o principal inimigo do Ocidente é o reconhecimento de seu status como principal homem político", observa Kalatshev. "Se eles têm medo, eles o respeitam".

- 'Um presidente forte para um país forte' -

No exterior, a reputação de Putin foi prejudicada pelo papel da Rússia no conflito ucraniano, razão pela qual os Estados Unidos e a União Europeia impuseram sanções a partir de 2014.

A Rússia também é criticada pelo apoio militar ao regime sírio de Bashar al-Assad ou pela revelação do amplo sistema de doping de atletas russos, o que a fez ser excluída dos Jogos Olímpicos de 2018.

Para Putin, todas essas reprovações mostram que a ideia de uma Rússia com poder irrita o Ocidente. É precisamente o lema de sua campanha: "Um presidente forte para um país forte".

No início de março, em um discurso perante a Duma, Putin apresentou as novas armas "invencíveis" da Rússia, lançando aos ocidentais: "Ouça-nos agora!"

- Sem outro candidato -

Exceto em caso de enorme surpresa, Putin obterá um quarto mandato em 18 de março que o deixará no poder até 2024.

Seu rival mais perigoso, de acordo com as pesquisas, é o candidato do Partido Comunista, o bilionário Pável Grudinin, que soma quase 8% das intenções de voto.

Putin "usa habilmente todo o medo e complexos da população", disse Kalatshev, acrescentando que o principal medo dos russos é um retorno à instabilidade da década de 1990.

Na eleição de 2012, Putin, que era então o primeiro-ministro do presidente Dimitri Medvedev, fez uma campanha prometendo melhorar a vida diária dos russos.

Mas seu mandato foi afetado pela recessão e uma queda no padrão de vida.

Para Navalni, 70% das intenções de voto para o presidente russo não se explica por um verdadeiro apoio ao seu programa, mas pela sensação de que não há outro candidato.

No interior do país "eles dizem que não há mais ninguém além de Putin, vou votar nele!" declarou Kalatshev recentemente à AFP.

* AFP

 

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