Hubert de Givenchy, o aristocrata da moda - Mundo - A Notícia

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Paris12/03/2018 | 14h34

Hubert de Givenchy, o aristocrata da moda

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"O segredo da elegância é parecer consigo mesmo", dizia o francês Hubert de Givenchy com seu porte aristocrático indissociável do de sua musa Audrey Hepburn. O estilista - cuja morte no sábado foi anunciada nesta segunda-feira - colocou seu talento a serviço do chic refinado.

"Um vestido deve embelezar a mulher que o usa e não disfarçá-la", enfatizava este homem distinguido de uma grande cortesia, que compartilhava com seu "mestre" Cristobal Balenciaga o gosto pelo rigor e pela pureza.

Givenchy, nascido em 20 de fevereiro de 1927, perdeu seu pai aos dois anos de idade e cresceu em Beauvais (norte da França), cercado por sua família materna. Seu avô administrava as famosas fábricas de tapeçarias Gobelins e de Beauvais. Daí nasceu seu gosto por tecidos e materiais: "este legado que tive a oportunidade de consultar foi uma grande influência", dizia.

Começou a desenhar silhuetas de manequins, a ter aulas de Belas Artes e aos 17 anos iniciou sua carreira de estilista, especialmente com Jacques Fath e Elsa Schiaparelli. Aos 24, decidiu abrir sua maison de couture em Paris.

Sua primeira coleção (1952), composta quase inteiramente que de peças separáveis, que poderiam ser combinadas de várias maneiras, foi um grande sucesso. Sua modelo favorita era uma estrela do momento, Bettina, cujo estilo "fresco, inteligente e dinâmico" ele adorava.

O encontro com Balenciaga em 1953, com o qual estabeleceu vínculos de amizade, foi crucial: "Balenciaga era a arquitetura, o gênio, a beleza e o estado puro. Ele me ensinou tudo", declarou Hubert de Givenchy, que nunca trabalhou com o estilista espanhol.

- A graça de Audrey Hepburn -

O ano de 1953 também marcou o início de 40 anos de cumplicidade com Audrey Hepburn, atriz esbelta e de encanto ingênuo que se tornará sua amiga e sua musa.

Mais do que qualquer outra, Audrey Hepburn encarnou o estilo Givenchy, essa elegância sem ostentação, simplicidade confortável, clássica, mas não austera. Hubert de Givenchy a vestiu no cinema ("Sabrina", "Bonequinha de Luxo", "Como roubar um milhão de dólares") e na vida real.

Com ela, "o trabalho tornou-se um ato de alegria", declarava o estilista. "Ela trazia às roupas a graça que carregava nela".

A estrela de Hollywood atraiu para ele uma grande clientela, ávida por vestidos curtos de elegância simples e conforto.

"Estou ligada a Givenchy como os americanos ao seu psiquiatra", dizia Audrey Hepburn.

Trabalhador e perfeccionista, Hubert de Givenchy iniciava sua jornada de trabalho às 07H30, vestindo camisa de linho branca. O estilista, que também era apaixonado por decoração e um grande colecionador de arte, resumia sua linha de conduta: "rigor, sem coisas inúteis e muito trabalho".

Entre seus clientes: Grace de Mônaco, Jackie Kennedy, Duquesa de Windsor, Elizabeth Taylor, Lauren Bacall, Jean Seberg e Diana Ross... No cinema, além de Audrey Hepburn, vestiu a francesa Michèle Morgan e Brigitte Bardot.

Em 1988, Hubert de Givenchy vende sua casa de moda ao grupo LVMH, mas continuou sendo diretor artístico. Jogou a toalha alguns anos depois, em 1995. "Eu me tornei um mero empregado cujo nome era desprezado", explicou.

Em julho de 1995, apresentou sua última coleção de alta costura, dedicada a seus funcionários, na presença de Yves Saint Laurent, Christian Lacroix, Jean-Louis Scherrer, Kenzo, Paco Rabanne, Valentino... Uma coleção que ele quis "mais refinada, mais simples", guiado pelo desejo de "alcançar a essência de um casaco, um vestido, um tailleur".

Alguns meses depois, em outubro, sua última coleção prêt-à-porter, ovacionada, encerrou sua carreira.

"Fala-se de luxo como jamais se falou", disse em um documentário exibido pelo canal Paris Première em julho de 2015. "Há mais e mais vestidos, mas não há direção. Bolsas com correntes, sapatos quase importáveis. Se isso é luxo, só tem um tempo".

Hubert de Givenchy compartilhou sua vida por muitos anos com o estilista Philippe Venet, com quem possuía um castelo cheio de obras de arte.

* AFP

 

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