Cúpula entre Trump e Kim, um giro arriscado para a China - Mundo - A Notícia

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Pequim12/03/2018 | 13h19

Cúpula entre Trump e Kim, um giro arriscado para a China

AFP
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A China, que pode se ver marginalizada de um diálogo direto entre Coreia do Norte e Estados Unidos, tem muito a perder, se ficar de fora de um acordo entre seu aliado histórico e Washington - dizem analistas ouvidos pela AFP.

O presidente americano, Donald Trump, aceitou, na semana passada, o convite do dirigente Kim Jong-un para participar de uma cúpula bilateral antes do final de maio, tendo como principal objetivo tratar da desnuclearização da península.

Esse encontro se anuncia como histórico, mas, até agora, a China não foi convidada, apesar de ser vizinha de Pyongyang e seu principal sócio comercial e apoio diplomático.

É certo, porém, que o tradicional entendimento entre chineses e norte-coreanos foi abalado diante do apoio de Pequim às múltiplas sanções, por meio das quais a ONU espera atingir o programa nuclear e balístico da Coreia do Norte.

Em telefonema com Trump na sexta-feira (9), o presidente chinês, Xi Jinping, saudou as "intenções positivas" do presidente americano e pediu a Washington "que dialogue o quanto antes" com Pyongyang.

"Os chineses devem se manter tranquilos e moderados, e não pensar que a China está sendo marginalizada", afirmou em editorial o jornal chinês "Global Times", de viés nacionalista.

Segundo o jornal, "o principal interesse de Pequim na península da Coreia é a desnuclearização e a paz. Isso é muito mais importante do que as relações da China com as Coreias do Norte e do Sul e os jogos de influência".

- 'Um obstáculo' -

O inesperado anúncio de uma reunião entre Trump e Kim pegou todo o mundo de surpresa, incluindo a China, que espera poder desempenhar um papel cada vez maior na cena diplomática internacional.

"Se até alguns membros da equipe de Trump encarregados da segurança nacional não estavam a par dessa grande reviravolta política, duvido que tenha informado seu colega chinês", afirma a especialista em relações sino-norte-coreanas Oriana Skylar Mastro, da Georgetown University, nos Estados Unidos.

"Antes de tudo, o governo Trump percebe a China como um obstáculo para uma solução pacífica para o problema nuclear norte-coreano. Não tanto como um interlocutor diplomático primordial", considera.

Pequim desconfia da reunião entre Trump e Kim, que tem potencial para prejudicar os interesses chineses na região, avalia o professor Zhang Liangui, especialista em questões norte-coreanas da Escola Central do Partido Comunista Chinês.

"A China, em sua condição de vizinha da Coreia do Norte, será a principal perdedora, se Pyongyang continuar o aperfeiçoamento de seu armamento nuclear", considera.

"Pode-se dizer que a China é a parte envolvida mais importante", completou.

Pequim está na linha de frente, em relação aos testes nucleares norte-coreanos, que provocam abalos sentidos com força no lado chinês. E as ambições militares de Pyongyang podem dar uma desculpa para o Japão, rival histórico da China, para reforçar seus armamentos.

Há tempos, a China reivindica um diálogo entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos, mas não espera ficar totalmente afastada das discussões sobre a desnuclearização.

De fato, solicita - sem cessar - que sejam retomadas as "conversas a seis": negociações sobre o programa nuclear norte-coreano que também incluem as duas Coreias, o Japão, os Estados Unidos e a Rússia e que estão suspensas desde 2009.

"Pequim se sentiria mais confortável em um papel de mediadora", afirma Wenran Jiang, pesquisador da Universidade da Colúmbia Britânica, em Vancouver (Canadá).

Para a China, as seis partes devem estar associadas ao processo de desnuclearização, insistiu.

* AFP

 

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