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Moscou13/03/2018 | 09h39

Cinco elementos de uma campanha eleitoral russa sem suspense

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Os russos vão às urnas em 18 de março eleger seu "novo" presidente, após uma campanha sem suspense e sem sobressaltos. Confira abaixo alguns elementos da corrida eleitoral presidencial russa 2018:

- Três minutos de campanha para Putin -

No poder há 18 anos, Vladimir Putin evitou uma campanha direta, negando-se a participar de debates na televisão e abrindo mão de comícios.

Sua equipe de campanha preparou um único grande ato com a presença de Putin, no dia 3 de março, no estádio de Luzhniki. Nele, atletas olímpicos, cantores conhecidos e cosmonautas se sucederam no palco para manifestar seu apoio ao presidente em fim de mandato diante de cerca de 80 mil pessoas.

Putin saudou seus simpatizantes reunidos sob -15ºC. Resultado: três minutos de intervenção, durante os quais prometeu "vitórias brilhantes" para a Rússia e entoou o hino nacional junto com a multidão.

A ausência nas ruas foi compensada pela onipresença na rede pública de televisão, com a emissora cobrindo os deslocamentos do chefe de Estado, quando discursou para cientistas, policiais, ou operários.

- Mísseis: a carta forte de Putin -

Em geral previsto para dezembro, mas desta vez adiado para 1º de março, o discurso anual ao Parlamento foi transformado em discurso pré-eleitoral. Boa parte de sua intervenção se concentrou nas novas armas russas, em particular, os mísseis "invencíveis" para os escudos antimísseis dos Estados Unidos.

Putin apresentou um novo sistema de defesa antimísseis, um drone submarino de propulsão nuclear e uma arma a laser, sobre a qual não deu detalhes, alegando ser "muito cedo". E advertiu os países ocidentais de que terão de "ouvir" a Rússia.

- Barraco eleitoral -

Na ausência de Putin, os russos se desinteressaram pelos debates, à exceção de uma discussão acalorada entre dois candidatos.

O ultranacionalista Vladimir Zhirinovski, de 71 anos, chamou de "cretina" a candidata liberal Xenia Sobchak, de 36, que lhe jogou um copo de água no rosto.

O candidato do partido de extrema direita LDPR se enfureceu e lançou uma sequência de insultos contra a ex-apresentadora de um reality show, chegando a chamá-la de "prostituta".

Alguns dias depois, Xenia contou que um homem a empurrou, em Moscou, além de ter-lhe jogado água, enquanto gritava "é por Zhirinovski!".

- O ouro do comunista -

O partido comunista surpreendeu, designando como candidato o empresário milionário Pavel Grudinin, em vez do até agora intocável Guenadi Ziuganov.

O interesse provocado por sua indicação e seu avanço nas pesquisas lhe valeram muitos artigos hostis na imprensa pró-Kremlin, que multiplicou as revelações sobre as contas bancárias no exterior do presidente da Sovkhoze Lenin, uma empresa produtora de frutas e de laticínios na periferia de Moscou.

No início de março, a comissão eleitoral anunciou ter descoberto, em 31 de dezembro de 2017, que Grudinin tinha 13 contas bancárias na Suíça com quase um milhão de euros, além de ouro.

O Partido Comunista e seu candidato denunciaram, em diferentes oportunidades, uma "campanha de difamação" lançada pelo Kremlin.

Segundo alguns analistas, essa campanha se deve ao temor do governo de que Pavel Grudinin - que teria pelo menos 7% dos votos nas pesquisas - possa obter um bom resultado na eleição presidencial.

- Boicote e batidas -

O principal opositor do Kremlin, Alexei Navalni, foi inabilitado, devido a uma condenação judicial.

Navalni fala em boicote e pede a presença de observadores internacionais para detectarem possíveis fraudes nos colégios eleitorais. Uma estratégia que explica o interesse do Kremlin em uma alta participação nas urnas.

A equipe de Navalni, que no ano passado mobilizou milhares de jovens nas ruas, sofreu revistas em suas sedes, e alguns de seus membros passaram uma parte da campanha eleitoral atrás das grades.

* AFP

 

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