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Moscou18/03/2018 | 17h28

A Rússia pós-soviética em cinco datas-chave

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Confira cinco momentos-chave da história da Rússia, do colapso da União Soviética, em 1991, à eleição presidencial deste domingo.

- 1991, ata da morte da URSS -

Em 8 de dezembro de 1991, Boris Yeltsin, eleito seis meses antes como o primeiro presidente da Federação Russa proclamou, junto com seus contrapartes da Ucrânia e de Belarus, a "morte da URSS".

O dirigente soviético Mikhail Gorbachov foi relegado para sempre e Yeltsin fez uma longa série de reformas liberais que transformaram de forma irreversível a sociedade russa.

Entre outras mudanças, foram liberalizados os preços, estabeleceu-se uma taxa de câmbio unificada, marcou-se uma conversibilidade para o rublo, instaurou-se a propriedade privada e aboliu-se o monopólio do Estado sobre o comércio exterior.

Em 1993, Yeltsin não hesitou em enviar tanques para reprimir os deputados comunistas que tinham se amotinado no Parlamento. Nos incidentes morreram 148 pessoas, segundo cifras oficiais.

No final de 1994, decidiu sujeitar a pequena república separatista da Chechênia, no Cáucaso russo. Em 1996, um acordo pôs fim a uma guerra que havia deixado dezenas de milhares de mortos.

A crise financeira de 1998 agravou a situação de milhões de russos que foram mergulhados na pobreza, em um momento em que o sistema de saúde e educacional naufragava e a corrupção avançava.

- 1999: Putin chega ao poder -

Em agosto de 1999, Yeltsin designou no cargo de primeiro-ministro Vladimir Putin, um personagem quase desconhecido, mas que havia chefiado a FSB, sucessor do serviço de espionagem KGB.

Quase imediatamente, Putin se forjou uma imagem de homem forte em um país traumatizado por uma onda de atentados atribuídos aos separatistas chechenos, que deixaram cerca de 300 mortos.

Em 1º de outubro de 1999, Putin, que tinha prometido "liquidar os terroristas até em sanitários", enviou tropas federais russas para a Chechênia.

Yeltsin, já combalido pelas doenças e pelo alcoolismo, acabou demitindo-se em 31 de dezembro de 1999.

Seu afilhado político o sucedeu definitivamente após as eleições presidenciais de março de 2000.

De 2000 a 2009, o conflito na Chechênia, marcado por abusos e pelo bombardeio indiscriminado de Grozny, deixou dezenas de milhares de vítimas.

Durante seus dois primeiros mandatos (ele foi reeleito em 2004), Putin reforçou sua influência no Parlamento, colocou os governos regionais sob o controle de Moscou, forçou os meios de comunicação a demonstrar lealdade incondicional e restituiu todas as funções à herdeira da extinta KGB.

Também afastou um a um os oligarcas, uma casta que havia enriquecido com Yeltsin. Esta estratégia levou Mikhail Jodorkovski, que estava à frente da gigante russa do petróleo a passar dez anos na prisão.

Paralelamente, a economia se recuperou, graças a um estrito controle monetário e, sobretudo, graças ao maná do petróleo.

- 2008-2012, entreato de Medvedev -

Por estar impedido pela Constituição a optar por um terceiro mandato consecutivo, Putin ungiu como afilhado seu jovem vice-presidente Dmitri Medvedev, eleito em 2 de março de 2008 sem uma concorrência real.

Então, Putin se tornou primeiro-ministro e assumiu o comando do partido Rússia Unida, que controlava o Parlamento.

Em 2009, a Rússia foi duramente atingida pela crise econômica global, mas conseguiu se recuperar e encontrar o caminho do crescimento.

- 2012, retorno polêmico -

Em dezembro de 2011, desatou-se um movimento de protesto sem precedentes desde que Putin chegou ao poder, após a vitória nas legislativas do Rússia Unida, devido às denúncias de fraude feitas pela oposição.

Esta onda de protestos não impediu que ele retornasse à Presidência em 2012 para um mandato de seis anos, graças a uma reforça constitucional.

A Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) considerou "claramente enviesada" sua eleição com quase 64% dos votos. As manifestações desataram a pior repressão desde o fim da URSS, segundo a organização Human Rights Watch (HRW).

- 2014, restaurar a 'Grande Rússia' -

Putin se lançou com uma imagem de restaurador da "Grande Rússia", anexando em 2014 a península ucraniana da Crimeia.

Esta operação provocou a pior crise desde o fim da Guerra Fria entre a Rússia e o Ocidente, que acusou Moscou de apoiar militarmente a revolta separatista no leste da Ucrânia, o que o Kremlin desmente.

A anexação da Crimeia e as ingerências na Ucrânia renderam à Rússia sanções europeias e americanas, que foram um golpe para a sua economia.

Na Síria, a Rússia se tornou um ator inevitável desde sua intervenção em 2015, o que permitiu às tropas e a seu aliado, o presidente Bashar al Assad, ganhar terreno frente à oposição.

* AFP

 
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