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Londres19/02/2018 | 14h09

Oxfam publica relatório interno sobre missão no Haiti

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A ONG britânica Oxfam divulgou nesta segunda-feira um relatório interno de 2011 sobre a missão de ajuda no Haiti, que revela como um de seus diretores pagou a prostitutas e alguns de seus funcionários sofreram ameaças.

De acordo com o documento de 11 páginas, divulgado em uma versão parcialmente censurada, o ex-diretor da Oxfam no Haiti, o belga Roland Van Hauwermeiren, admitiu que pagou por relações sexuais com prostitutas em locais financiados pela organização.

A ONG estava presente no Haiti desde o terremoto de 2010, que deixou mais de 200.000 mortos.

"É algo totalmente horrível", declarou a primeira-ministra britânica Theresa May. "Estas condutas estão muito abaixo dos padrões que podemos esperar das organizações benificentes e ONGs com as quais trabalhamos", acrescentou.

O informe, elaborado em 2011 após uma investigação interna, não descarta a possibilidade de que alguma prostituta fosse menor de idade.

A haitiana Mikelange Gabou disse ao jornal The Times que teve uma relação com Van Hauwermeiren quando ela tinha 16 anos e ele 61. De acordo com seu depoimento, o belga entregou dinheiro e fraldas para seu bebê. Algumas vezes convidada para sua casa mulheres que procuravam trabalho, as quais dava dinheiro.

"Me ajudava, mas eram muitas garotas (...) Sempre era mulheres do local, haitianas, as mulheres eram sua distração", afirmou.

Na semana passada, Van Hauwermeiren negou ter organizado orgias com jovens prostitutas, mas admitiu em uma carta publicada pela imprensa belga que teve relações sexuais com uma "mulher respeitável e madura", sem entregar dinheiro.

De acordo com o relatório, sete funcionários da Oxfam no Haiti deixaram a ONG após a investigação interna. Alguns foram acusados, além de pagar a prostitutas, de perseguir e intimidar outros membros da organização.

Quatro deles foram demitidos por "falhas graves" e três pediram demissão, entre eles Roland Van Hauwermeiren, a quem a Oxfam optou na época por oferecer uma "saída digna, desde que cooperasse plenamente com o restante da investigação".

Além disso, há a suspeita de que três pessoas "ameaçaram fisicamente e intimidaram" uma das 40 pessoas que testemunharam na investigação interna.

- Transparência -

A Oxfam afirmou que decidiu publicar o relatório "para ser o mais transparente possível sobre as decisões que foram tomadas durante a investigação".

A ONG também comunicará o nome das pessoas envolvidas às autoridades do Haiti, que realizam a própria investigação.

Na sexta-feira, a Oxfam revelou um plano de ação para impedir novos casos similares e tentar responder à polêmica mundial, que levou parceiros e personalidades que apoiavam a ONG a abandoná-la.

A Oxfam, que no ano fiscal 2016-17 recebeu quase 36 milhões de euros do governo britânico, aceitou não pedir mais recursos públicos até cumprir as normas de proteção de pessoas, indicaram as autoridades.

No relatório sobre o Haiti, a Oxfam concluiu que era necessário adotar "mecanismos melhores" para informar as demais agências sobre o comportamento problemático dos funcionários.

Depois de deixar a Oxfam, Roland van Hauwermeiren trabalhou para a organização francesa Ação contra a Fome em Bangladesh. Esta última lamentou não ter sido avisada sobre o comportamento do belga no Haiti.

Após as primeiras revelações de abusos, também em países como Sudão do Sul e Libéria, o diretor geral da Oxfam no Reino Unido, Mark Goldring, afirmou que o escândalo era "desproporcional", mas no domingo admitiu que a organização deveria ter sido mais transparente.

O caso também provocou a revelação de comportamentos similares em outras ONGs como a britânica Save the Children, acusada de ter permitido a saída sem puni~]ao de Brendan Cox, marido da deputada assassinada Jo Cox, que teve um comportamento inapropriado com as companheiras de trabalho.

Cox pediu desculpas no fim de semana e abandonou os cargos que ocupava em duas associações criadas em memória de sua mulher.

mpa/fb/pc.zm/fp

* AFP

 

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