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Jerusalém11/02/2018 | 12h09

Israel multiplica advertências ao Irã após incursões aéreas na Síria

AFP
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Israel multiplicou neste domingo (11) as advertências ao Irã após atacar múltiplos alvos iranianos na Síria e perder um caça-bombardeiro, um episódio que ameaça abrir uma nova e imprevisível etapa no conflito no país, devastado por sete anos de guerra.

Em um comunicado, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, assegurou que os ataques da aviação israelense de sábado desferiram um "duro golpe" ao Irã e às forças do governo sírio.

Este foi o confronto mais violento de Israel com o Irã desde o início do conflito na Síria, em 2011.

"Continuaremos atacando todos os que tentarem nos atacar", disse Netanyahu no comunicado divulgado por seu gabinete.

Segundo a versão israelense, um drone controlado à distância por iranianos com base na Síria entrou no sábado no espaço aéreo israelense, onde foi abatido.

Em represália, a aviação israelense atacou a base "iraniana" na Síria de onde o drone havia decolado.

Um dos aviões israelenses que participou desta operação foi atingido por um míssil da Síria e explodiu em solo israelense. Os dois pilotos foram hospitalizados. Um deles foi gravemente ferido no incidente, mas foi operado e seu estado de saúde melhorou, indicaram as Forças Armadas israelenses.

Em resposta à defesa antiaérea na Síria, a aviação israelense lançou ataques contra uma dúzia de alvos sírios e iranianos.

Neste domingo, responsáveis políticos e militares, assim como comentaristas, insistiram sobre o precedente criado por este enfrentamento.

"Primeiro confronto militar direto entre Israel e Irã", "Dia de combate com Irã", estampavam os jornais Maariv e Yediot Aharanot.

A imprensa insistiu no fato de que o F-16 destruído foi o primeiro aparato israelense derrubado desde a guerra no Líbano, em 1982.

- 'Mísseis não conhecem fronteiras' -

O aparato foi atingido no espaço aéreo israelense por um míssil disparado da Síria, prova de que "os mísseis não conhecem fronteiras", disse à rádio militar o general Amnon Ein Dar, da Força Aérea.

Segundo especialistas, o drone interceptado em território israelense é o primeiro a ser pilotado à distância diretamente pelos iranianos na Síria.

Desde o começo da guerra na Síria, Israel tenta se manter à margem do conflito. Mas, antes de sábado, já havia atacado dezenas de alvos, fossem posições do governo ou comboios com armas destinadas ao Hezbollah, milícia xiita libanesa aliada de Damasco.

O Irã, ferrenho inimigo de Israel, é um dos países que apoia o governo de Bashar al-Assad.

Neste domingo, o ministro israelense de Transportes e Inteligência, Israel Katz, repetiu que seu país não aceitará que o Irã se implemente militarmente na Síria.

"Temos os meios para saber tudo o que acontece na Síria, como pudemos provar com os ataques de sábado. Nossa superioridade aérea está totalmente assegurada", afirmou à rádio.

- Israel reforça defesa antiaérea -

Segundo a rádio militar, as Forças Armadas israelenses reforçaram a defesa antiaérea no norte, em frente ao Líbano e à Síria.

A administração americana expressou o apoio incondicional ao seu "fiel aliado", evocando o "direito a se defender contra as forças sírias e as milícias apoiadas pelo Irã".

"Pedimos ao Irã e a seus aliados que cessem suas atividades provocadoras", destacou a Casa Branca em comunicado.

Em Israel, poucas vozes criticaram os últimos bombardeios israelenses, com exceção do general da reserva Amiram Levin.

"Deveríamos termos nos contentado em derrubar o drone que entrou em nosso espaço aéreo. Um país que está seguro dele mesmo não tem que fixar publicamente as linhas vermelhas, já que isso reflete pânico", afirmou este ex-comandante da região militar norte.

* AFP

 

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