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Bruxelas22/01/2018 | 18h14

Presidente palestino urge à UE reconhecimento de Estado independente

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O presidente palestino, Mahmud Abbas, pediu nesta segunda-feira (22) que a União Europeia (UE) reconheça "rapidamente" um Estado palestino independente, em uma visita a Bruxelas na qual busca o apoio europeu após a decisão de Washington de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel.

"Consideramos a UE uma verdadeira parceira e amiga, e é por isso que pedimos aos Estados-membros que reconheçam o Estado palestino", disse Abbas, antes de um almoço com a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, e os chanceleres do bloco.

Os palestinos querem neutralizar a criticada decisão do presidente americano, Donald Trump, a quem já não consideram um mediador "legítimo" no processo de paz, obtendo o reconhecimento de todos os países europeus.

A Suécia e outros oito países já reconhecem o Estado palestino, aos quais, mais tarde, a Eslovênia poderia se unir. Mas outros veem esta decisão como resultado das negociações de paz entre israelenses e palestinos, congeladas desde 2014.

Nesse sentindo, o presidente da Autoridade Palestina, de 82 anos, destacou que "não existem contradições entre reconhecimento e retomada das negociações", e defendeu que isto "abriria as portas para a paz".

Apesar da decisão de Trump, a posição europeia - a visão internacional mais estendida - se mantém sem mudanças: a solução passa pela criação de dois Estados com base nas fronteiras de 1967, cujas capitais em ambos os casos estariam em Jerusalém.

- 'Determinados a continuar' -

Embora o objetivo do almoço fosse discutir sobre "como a UE pode apoiar a retomada do processo" de paz, nas palavras de Mogherini, alguns chanceleres anunciaram sua intenção de advertir Abbas contra posições extremas.

Em meados de janeiro, o líder palestino considerou que, após a decisão americana, a oferta de paz israelense-palestina de Trump era o "tapa do século", e acrescentou que Israel "acabou" com os Acordos de Oslo de 1990 sobre a autonomia palestina.

O chanceler espanhol, Alfonso Dastis, urgiu em declarações à imprensa "moderar" sua resposta à decisão americana, enquanto Mogherini considerou que israelenses e palestinos devem "mostrar agora, mais do que nunca, sua vontade de se comprometer".

"Apesar dos obstáculos que podemos encontrar em nosso caminho", "estamos determinados a continuar esta negociação, já que pensamos que é a única maneira de avançar para encontrar uma solução negociada", assegurou Abbas.

Enquanto o presidente da Autoridade Palestina fazia esta declaração para a mídia, o vice-presidente americano, Mike Pence, que está em Israel, anunciou que a transferência de sua embaixada de Tel Aviv para Jerusalém aconteceria "antes do fim de 2019".

- Acordo de associação? -

Sem o reconhecimento, os europeus estudam oferecer aos palestinos um Acordo de Associação, um marco diplomático que mantém com outros países, como Israel, com cujo primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, houve uma reunião em dezembro em Bruxelas.

Países como Espanha e França apoiam iniciar discussões sobre esse marco de cooperação, mas a chefe da diplomacia europeia afirmou que o tema não foi abordado com Abbas e que a discussão a respeito na UE continuará "nas próximas semanas".

"Estamos em uma etapa muito preliminar", advertiu um funcionário da UE, explicando que um acordo deste tipo só poderia ser assinado se a UE reconhecesse a Palestina como um Estado independente.

Na véspera, o chanceler palestino, Riyad al-Malki, indicou à AFP que um acordo não pode "substituir" um reconhecimento de um Estado palestino e que "se os europeus querem desempenhar um papel, então devem ser justos em seu tratamento de ambas as partes".

A UE, primeiro fornecedor de fundos da Autoridade Palestina, se comprometeu a manter seu apoio financeiro, depois que Washington congelou a sua contribuição para a agência da ONU para os refugiados palestinos (UNRWA).

Mogherini indicou que a UE e seus países são os maiores doadores, com cerca de 439 milhões de dólares em 2017, mas considerou "impossível de imaginar" que cubram o vazio deixado por Washington.

Uma reunião do grupo internacional de doadores está programada para 31 de janeiro em Bruxelas.

* AFP

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