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Washington13/01/2018 | 12h15

Países e organizações indignadas com Trump por declarações racistas

AFP
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Vários países africanos e representantes de organizações internacional criticaram duramente o presidente Donald Trump por se referir ao Haiti, El Salvador e nações africanas como "países de merda".

Trump recorreu imediatamente a sua arma favorita, o Twitter, para se defender e negar que tenha usado esta expressão, mas rapidamente foi desmentido por um senador do Partido Democrata que estava presente na reunião e confirmou que o presidente proferiu as ofensas.

"O primeiro representante dos Estados Unidos se expressando nesses termos é indigno, preocupante e ofensivo", afirmou neste sábado no Twitter a secretária-geral da Organização Nacional de Francofonia (OIF), a canadense Michaëlle Jean, de origem haitiana.

Em poucas horas, o assunto se transformou num escândalo internacional e gerou uma forte onda de indignação.

"Se forem confirmados, são comentários escandalosos e vergonhosos por parte dos Estados Unidos. Lamento, mas a única palavra que se pode utilizar é racista", afirmou, em Genebra, o porta-voz do Alto Comissariado para os Direitos Humanos da ONU, Rupert Colville.

O governo do Haiti, que na sexta recordou o devastador terremoto de 2010, emitiu uma nota na qual considerou "inaceitáveis" as declarações de Trump "odiosas e abjetas", por achar que refletem "uma visão simplista e racista completamente equivocada".

A União Africana condenou as declarações "ofensivas e perturbadoras" do presidente americano.

"Isso é ainda mais ofensivo dada a realidade histórica do número de africanos que chegaram aos Estados Unidos como escravos", disse à AFP Ebba Kalondo, porta-voz do presidente da Comissão da União Africana, Moussa Faki.

O governo de Botsuana convocou o embaixador americano para explicar se essa nação africana é "considerada um país de merda".

O governo de El Salvador, por sua vez,também protestou "exigindo respeito à dignidade de seu nobre e corajoso povo", em comunicado lido pelo presidente Salvador Sánchez Cerén.

As expressões "agridem a dignidade" dos cidadãos salvadorenhos, completou.

- Desmentido de Trump -

Em uma primeira mensagem no Twitter, Trump admitiu que foram ditas coisas "duras" em uma reunião na Casa Branca ontem pra discutir imigração, mas garantiu que "essa não foi a linguagem usada".

Uma hora mais tarde, Trump voltou ao tema no Twitter para assegurar que nunca disse "qualquer coisa depreciativa sobre os haitianos, além de dizer que o Haiti é, obviamente, um país muito pobre e com muitos problemas".

Pouco depois, porém, o senador democrata Rick Durbin, que participou da reunião, disse que Trump de fato se referiu a "países de merda" e que fez isso mais de uma vez.

Trump "tuitou esta manhã negando que usou essas palavras. Não é verdade. Ele disse essas coisas cheias de ódio, e as disse repetidamente (...) Deu essas declarações vis e vulgares, chamando essas nações de países de merda", lamentou Durbin.

Diversas fontes apontam que Trump se referia a nações africanas, ao Haiti e a El Salvador.

"Por que todas essas pessoas de países de merda vêm aqui?", teria dito Trump, acrescentando que queria imigrantes de países nórdicos, como a Noruega.

O congressista democrata negro Cedric Richmond e seu colega Jerrold Nadler, integrante do Comitê Judicial da Câmara de Representantes, revelaram que planejam promover uma moção de censura contra Trump, na próxima semana.

"Temos que mostrar ao mundo que este presidente não representa os sentimentos da maior parte do povo americano".

Nos Estados Unidos, as reações também não demoraram a aparecer.

Nascido em Chicago e filho de pais porto-riquenhos, o congressista democrata Luis Gutiérrez comentou que "agora se pode dizer com 100% de certeza que o presidente é um racista".

"Tenho vergonha do nosso presidente", acrescentou.

A onda de indignação também imperava entre os republicanos. A legisladora Mia Love, de família haitiana, disse que a declaração de Trump era "divisiva" e defendeu que um pedido de desculpas é imperativo.

Para Tim Scott, o único senador negro entre os republicanos, as declarações de Trump são "decepcionantes".

Na quinta-feira, Trump recebeu na Casa Branca um grupo de congressistas democratas e republicanos para tentar chegar a um acordo sobre uma lei geral migratória.

O republicano Lindsey Graham e o democrata Durbin tentavam alinhavar o acordo, mas, ao chegarem à Casa Branca, observaram que Trump estava acompanhado de outros legisladores que defendem "linha dura" com os imigrantes.

O acordo tenta chegar a uma saída para a situação dos cerca de 680 mil jovens que ingressaram de forma irregular no país ainda crianças e que regularizaram seu status com o programa DACA, aprovado durante o governo de Barack Obama e cancelado por Trump.

* AFP

 

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