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Caracas17/01/2018 | 22h24

Familiares exigem de Maduro entrega de mortos em operação contra piloto

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Entre denúncias de "execução extrajudicial", familiares e grupos de direitos humanos exigiam nesta quarta-feira a entrega dos corpos do piloto Oscar Pérez, protagonista de ações contra o governo de Nicolás Maduro, e dos outros seis mortos em uma operação das forças de segurança.

Desde cedo, o acesso ao Necrotério de Belo Monte, o instituto médico legal de Caracas (sudeste), foi restringido por guardas armados e com escudos.

Aura Pérez, tia do piloto e ex-agente policial de 36 anos, entrou no local para reivindicar o corpo: "Vim reconhecer o corpo de meu sobrinho e exigir que me entreguem. O enterraremos aqui em Caracas, onde nasceu", declarou a jornalistas.

Na terça-feira, a esposa de Pérez, Dana Vivas, exigiu no Twitter ao governo "que permita identificar o corpo" à família, e garantiu que não autorizavam sua cremação.

Parentes dos outros mortos também foram ao local.

"Peço encarecidamente(...) ao presidente Maduro, com toda minha dor e de minha família, que por favor, pelo nosso direito, que se respeite nossa dor e deixem de obstruir e nos entreguem o corpo de meu filho", pediu Zeila Agostini, mãe de Abraham Agostini.

Rodeada de uma comissão de parlamentares opositores que investiga os fatos, Agostini, afirmou que seu filho "morreu como um herói" e que se envolveu no grupo de Pérez - chamado pelo governo de "terrorista"- pela grave situação do país.

A operação aconteceu nos arredores de Caracas, sete meses depois de Pérez ter atacado de um helicóptero edifícios governamentais, em meio a uma onda de protestos contra Maduro que deixou cerca de 125 mortos entre abril e julho de 2017.

Nesta quarta-feira, o líder chavista Diosdado Cabello afirmou que Pérez ´werez

le iban a poner una bomba a la embajada de Cuba", expresó Cabello, número dos del gobernante Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV), en su programa semanal en la televisora estatal VTV.

- Hermetismo e controvérsia -

Familiares, parlamentares e ativistas de direitos humanos lamentaram que o hermetismo tenha marcado o caso.

"A resposta que recebemos foi a de que não vão entregar os corpos porque estão à disposição de um tribunal militar", disse a jornalistas o deputado opositor Winston Flores.

Ele acrescentou que as autoridades "não quiseram entregar o relatório da autópsia". "Houve um justiçamento extrajudicial e queremos comprová-lo", assegurou.

Em vídeos divulgados no Instagram durante a operação, Pérez, usuário frequente das redes sociais, afirmou que as autoridades estavam disparando contra ele, apesar de, junto com seus homens, ter manifestado que queria se entregar.

A deputada opositora Manuela Bolívar acusa "uma série de irregularidades" e afirma que o "silêncio" responde a "um homicídio a pessoas que estavam pedindo para se entregar" e que "as forças de segurança continuaram até que ele morresse".

O ministro de Interior, general Néstor Reverol, afirmou que quando se negociava a entrega, o "grupo terrorista" atacou as forças de segurança, matando dois policiais e ferindo outros oito. Depois disso é que teria havido um "confronto armado".

Os críticos do governo não dão crédito ao informe oficial.

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, denunciou na segunda-feira que Pérez e seu grupo organizavam um ataque contra a "embaixada de um país querido", sem dizer qual.

"O presidente não disse, mas eu vou dizer: iam colocar uma bomba na embaixada de Cuba", expressou Cabello, número dois do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), em seu programa semanal na rede de televisão estatal VTV.

A ex-procuradora-geral Luisa Ortega Díaz, chavista que rompeu com Maduro e fugiu para a Colômbia após ser destituída no ano passado, qualificou o ato de "execução extrajudicial".

"O procedimento é um reflexo da situação do estado de direito na Venezuela e o nível de desinformação e opacidade como lida o governo", disse à AFP Rocío San Miguel, especialista temas militares.

Em um comunicado, a ONG Foro Penal afirmou que é dever do Estado "garantir a vida, inclusive daqueles que tenham sido apontados como autores ou partícipes em fatos puníveis".

"Sem incorrer em práticas que possam ser consideradas como justiçamento ou execuções informais ou a aplicação informal da pena de morte, proibida na Venezuela", acrescentou.

Várias pessoas apoiaram os familiares nas imediações do instituto médico legal. Uma manifestante segurava um cartaz com a frase "Somos todos Oscar Pérez".

"Me sinto plenamente identificada com Oscar Pérez e morri um pouco com ele", disse à AFP.

* AFP

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