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Washington14/01/2018 | 12h55

Com medidas drásticas de Trump, imigrantes têm muito a perder

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Há duas décadas, em busca de uma vida melhor, Fatima Nolasco cruzou a fronteira com os Estados Unidos, onde construiu um negócio bem sucedido e um novo lar.

Agora, após o presidente Donald Trump decidir dar fim a um programa que permitiu a ela e outros 200 mil imigrantes de El Salvador conseguirem empregos legalmente no país, ela teme estar prestes a perder tudo.

Se o Congresso não encontrar uma solução de longo prazo para substituir o programa de status de proteção temporária (TPS, na sigla em inglês), oferecido aos salvadorenhos em 2001, após dois terremotos devastarem seu país, Nolasco vai perder seus documentos legais em setembro de 2019.

Sob proteção do plano, ela abriu um pequeno negócio de construção e reforma de casas com seu marido, Walter Dubon, que tem residência legal permanente.

Atualmente, eles têm 20 funcionários e pagam até 30 mil dólares anuais em impostos comerciais, além dos individuais.

"Pagamos impostos há 16 anos", disse. "Nunca pensamos que terminaria assim. Sempre tivemos a esperança de que nos dariam uma oportunidade".

Nolasco destaca que sua família não depende de auxílios do governo. De fato, os beneficiários do TPS não podem receber programas governamentais para necessitados, mas contribuem para eles ao pagar seus impostos.

- Impacto econômico -

"Tivemos uma vida decente como resultado de nosso trabalho e esforço. Espero que se deem conta de que não somos uma carga para o país", afirmou Nolasco à AFP em sua casa perto de Washington, a capital americana, que abriga muitos salvadorenhos.

Enquanto Trump se parabeniza pelo crescimento sólido e o aumento do emprego durante seu primeiro ano na presidência, economistas e líderes empresariais alertam que expulsar trabalhadores imigrantes em massa seria um grave golpe econômico.

Ele seria especialmente prejudicial quando as empresas se queixam cada vez mais da falta de mão de obra, sobretudo em áreas como construção.

Uma análise mostra que, se os salvadorenhos que têm o TPS, assim como os milhares de hondurenhos e hatianos, fossem retirados da força trabalhista, os Estados Unidos perderiam 164 bilhões de dólares de seu PIB na próxima década, sem contar 6,9 bilhões de dólares a menos em contribuições à Previdência Social.

Até 88% dos imigrantes trabalha - parcela muito superior à dos cidadãos americanos - e cerca de um terço tem casas próprias. Muitos, como Nolasco, são empresários.

Se eles forem mandados para seu país natal, o futuro será incerto.

Enquanto Washington considera que as condições de El Salvador já não justificam o status de proteção para seus cidadãos, ainda mantém um alerta de viagem aos americanos, indicando que no país "a atividade de gangues, a extorsão, os crimes violentos de rua, o narcótico e o tráfico de armas são generalizados".

- 'Nos consideramos americanos' -

Trump também anunciou o fim de outro programa, o Daca, que regulariza a documentação de imigrantes trazidos ao país quando eram crianças.

Se o Congresso não conseguir uma mudança, 800 mil pessoas cobertas pelo Daca perderão sua proteção em 5 de março.

Economistas alertam que os Estados Unidos poderiam perder 215 bilhões de dólares no PIB se os chamados "dreamers" deixarem seus empregos.

Amazon, Apple, Facebook e Google estão entre as mais de cem empresas cujos executivos assinaram uma carta pedindo proteção para os "dreamers" e alertando que a inação "vai levar as empresas a perder talentos valiosos, causará alterações na força de trabalho e terá como resultado prejuízos significativos".

Miguel Aguiler, que chegou do México quando tinha 11 anos, encontrou um caminho para sua documentação, mas teme por outros "dreamers".

"É bastante ridículo que o presidente queira eliminar tantos jovens que não fazem nada além de contribuir para este país", disse à AFP.

"Moramos aqui toda a nossa vida, nos consideramos americanos, apesar de não termos um papel para provar isso", acrescentou.

Aguiler é um símbolo de realização do "american dream". Após a aprovação do Daca, entrou para uma universidade americana com uma bolsa de futebol e foi recrutado para jogar na liga nacional profissional, tornando-se o primeiro imigrante indocumentado a conseguir isso.

Ele se casou com uma namorada da faculdade, cidadã americana, o que lhe permitiu obter o status de residente permanente, o chamando "green card".

Ali Noorani, diretor-executivo do Fórum Nacional de Imigração, está otimista de que os legisladores democratas e republicanos vão encontrar uma solução para os "dreamers".

"Para o bem ou para o mal, o governo deu um prazo para o Congresso resolver isso", disse.

* AFP

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