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Sana05/12/2017 | 21h16

Rebeldes huthis reforçam controle sobre capital do Iêmen

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Os rebeldes xiitas huthis reforçaram nesta terça-feira (5) seu controle sobre a capital iemenita, Sanaa, depois de terem matado seu ex-aliado, o ex-presidente Ali Abdullah Saleh, que tentava fugir da cidade.

Segundo fontes de segurança, os huthis, que compartilhavam até agora o controle da capital com Saleh, arrebataram todos os setores que estavam nas mãos dos partidários do ex-presidente, poucas horas após sua morte.

Desde o anúncio da morte de Saleh, não houve nenhum confronto importante na capital, apenas desavenças na parte sul, reduto de seus partidários.

Os combates desses últimos dias entre as facções rebeldes, os huthis e os seguidores do ex-presidente, foram, no entanto, muito violentos. Nesta terça-feira, uma porta-voz do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) assinalou à AFP que ao menos 234 pessoas morreram e 400 ficaram feridas nesses confrontos desde sexta-feira.

Os huthis instalaram novos postos de controle em toda a cidade, e seus líderes afirmaram controlar a capital. "Declaramos o fim das operações de segurança e a estabilização da situação", afirmou na segunda-feira um responsável huthi, Saleh al Samad, à emissora de televisão dos rebeldes, Almasirá.

Samad assegurou ter pedido a suas forças de segurança que "tomem medidas contra os sabotadores e os que colaboram com eles".

Nas últimas horas a capital era um fervedouro de rumores sobre muitas prisões de seguidores de Saleh no Exército e no governo rebelde.

O líder morto manteve a lealdade de várias unidades de elite do Exército depois que teve que abandonar o poder em 2012, por conta de protestos populares iniciados durante a Primavera Árabe.

Saleh, que governou o país durante três décadas, se uniu aos huthis em 2014 quando tomaram o controle de extensas zonas do país, incluindo Sanaa.

Mas sua aliança se rompeu na semana passada depois de confrontos entre seus membros e, sobretudo, após o ex-presidente se mostrar disposto a "virar a página" com a Arábia Saudita, que dirige uma campanha militar contra os huthis desde março de 2015.

Nesta terça à tarde, milhares de pessoas se manifestaram para comemorar, segundo seu chefe Abdel Malek Al Huthi, "o fracasso do complô de" Saleh e uma parte de seu partido, o Congresso Popular Geral (CPG).

- Bombardeios contra Sanaa -

Na segunda-feira à noite, a coalizão árabe dirigida pela Arábia Saudita aumentou seus bombardeios contra a capital, atingindo ao menos sete vezes o palácio presidencial, nas mãos dos rebeldes xiitas, asseguraram várias testemunhas.

A guerra do Iêmen deixou milhares de mortos, provocou uma das piores catástrofes humanitárias do mundo e agravou as tensões entre Arábia Saudita e a outra grande potência regional, o Irã, aliado dos huthis.

O presidente iraniano, Hasan Rouhani, enviou um aviso nesta terça-feira ao que atacam o país em guerra. "O povo sacrificado do Iêmen fará os agressores lamentarem as suas ações", disse em um discurso televisionado.

Mohammad Ali Jafari, comandante em chefe dos Guardiões da Revolução (tropas de elite iranianas), afirmou que Saleh morreu porque tentou ajudar a derrubar os huthis.

"Os traidores sauditas buscam criar insegurança nos países da região sob as ordens dos Estados Unidos e se colocando ao lado dos israelenses. Vemos sua tentativa de lançar um golpe (contra os huthis)", assegurou Jafari.

O conselho de ministros da Arábia Saudita reagiu nesta terça-feira afirmando que esperava ver o Iêmen livre das milícias "terroristas apoiadas pelo Irã".

O chefe da Liga Árabe, Ahmed Abul Gheit, condenou a morte de Saleh e afirmou que "a maneira como foi realizada revela a todos o caráter criminoso" dos huthis.

O Conselho de Segurança da ONU pediu nesta terça-feira "a todas as partes" que diminuam o nível de violência e "voltem a participar sem condições prévias do processo político dirigido pela ONU para alcançar um cessar-fogo duradouro".

O CICV denunciou uma escalada "sem precedentes" da violência.

"Os hospitais de Sanaa, que não têm combustível para fazer funcionar os geradores e nem medicamentes, precisam de nossa ajuda", disse à AFP Robert Mardini, um responsável regional.

bur/mh/kir/srm/gm.zm/es/cb/mvv

* AFP

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