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Baabda05/12/2017 | 14h16

Premiê libanês Saad Hariri retira sua renúncia

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O primeiro-ministro libanês, Saad Hariri, retirou sua renúncia nesta terça-feira (5), um mês depois da decisão que surpreendeu o Líbano e a comunidade internacional - conforme comunicado divulgado pelo governo.

"O Conselho de Ministros agradeceu ao primeiro-ministro por ter anulado sua demissão", afirmou o governo em uma nota lida pelo próprio Hariri, após a primeira reunião de seu gabinete desde o episódio.

Na sequência desse anúncio, a França informou que uma reunião de apoio ao Líbano acontece nesta sexta-feira (8) em Paris, na presença de Hariri.

Em 21 de novembro, Hariri voltou para Beirute, quase três semanas após anunciar sua demissão e partir para a Arábia Saudita de forma inesperada.

Gerou muitas dúvidas o fato de Hariri anunciar sua demissão, em pronunciamento feito em 4 de novembro passado em Riad, e de permanecer na Arábia Saudita durante duas semanas. Na época, o premiê invocou a ingerência do Irã e do Hezbollah na região, em meio à tensão entre Riad e Teerã.

O presidente libanês, Michel Aoun, chegou a acusar os sauditas de mantê-lo como "refém", o que foi negado pelo próprio premier.

Desde então, os dois campos rivais no Líbano - de um lado, Saad Hariri, apoiado por Riad; do outro, o Hezbollah xiita apoiado pelo Irã - tentam chegar a um acordo para evitar um novo terremoto político no país.

Hoje, o governo, do qual ambos os lados participam, reafirmou sua vontade de "se distanciar" dos conflitos regionais.

"O governo libanês, em todos seus componentes políticos, decide se distanciar de qualquer conflito, de qualquer guerra e dos assuntos internos dos países árabes", indica o comunicado lido por Hariri.

Esse "distanciamento" visa a "preservar as relações políticas e econômicas do Líbano com seus irmãos árabes", completa o texto.

Essa política já era defendida pelo governo atual no momento de sua formação em 2016. O envolvimento ativo do Hezbollah xiita ao lado do governo sírio de Bashar al-Assad há anos e as acusações sauditas questionando sua atuação no conflito no Iêmen afetaram essa agenda.

- 'Hipocrisia' -

"Uma reafirmação do 'distanciamento' libanês, não obstante sua hipocrisia manifesta e a impossibilidade de traduzi-la concretamente, permite não pôr tudo a perder e ganhar tempo", disse à AFP o especialista em Oriente Médio Karim Bitar, do francês Iris.

No Conselho de Ministros, Hariri disse esperar que essa reunião "seja uma nova chance para defenderem juntos o país".

"Vemos como a região está em ebulição, e temos de estar conscientes de que qualquer passo em falso pode levar o país para um abismo perigoso", afirmou, segundo um comunicado em separado.

"Sou primeiro-ministro do Líbano e, hoje, estou condenado à morte pela Síria", enquanto o Hezbollah "é classificado como organização terrorista pelos países do Golfo", comentou Saad Hariri.

Na Síria, o grupo de Hariri optou por apoiar a oposição, enquanto o Hezbollah ficou ao lado do Exército de Assad.

O Hezbollah é acusado pela Arábia Saudita de ser o braço do Irã no Líbano.

ram/bpe/ra.zm/cn/tt

* AFP

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