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Jerusalém11/12/2017 | 10h51

Jerusalém continua a mobilizar as ruas e a diplomacia

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A decisão de Donald Trump de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel continuava nesta segunda-feira (11) a dominar a agenda diplomática, de Bruxelas ao Cairo passando por Ancara, com protestos programados em vários países pelo quinto dia consecutivo.

O líder do Hezbollah libanês, Hassan Nasrallah, convocou uma manifestação em massa para o início da tarde, na periferia sul de Beirute, reduto do poderoso movimento xiita, inimigo de Israel e um dos principais defensores da causa palestina.

No Irã, a facção estudantil dos "bassidjis", uma milícia de voluntários que se colocam como guardiões dos valores da Revolução Islâmica, organiza uma passeata na parte da tarde.

Novas mobilizações também são esperadas em Jerusalém e nos Territórios palestinos, após quatro dias de confrontos com as forças israelenses que custaram a vida de quatro palestinos e deixaram centenas de feridos.

Ao reconhecer, em 6 de dezembro, Jerusalém como a capital de Israel, uma ruptura com décadas de diplomacia americana e internacional, Trump provocou manifestações diárias no mundo muçulmano e numerosos confrontos nos Territórios palestinos.

Milhares de pessoas protestaram no domingo da Indonésia ao Marrocos, passando pela Turquia. Em Beirute, as forças de segurança dispersaram uma manifestação perto da embaixada dos Estados Unidos com canhões d'água, fazendo vários feridos.

A iniciativa unilateral do presidente americano provocou a ira dos líderes palestinos e uma reprovação quase unânime da comunidade internacional.

- 'Substância da paz' -

"A pior coisa que pode acontecer agora é uma escalada das tensões, da violência", declarou a chefe da diplomacia da União Europeia, Federica Mogherini, ao lado de Benjamin Netanyahu em Bruxelas, antes de uma reunião entre o primeiro-ministro israelense e os ministros das Relações Exteriores da UE.

Ela reiterou a posição europeia segundo a qual a chamada solução de dois Estados, ou seja, a criação de um Estado palestino que coexista com Israel, cada um com Jerusalém como sua capital, permanece a única válida para a resolução do conflito.

Desde a criação do Estado de Israel em 1948, a comunidade internacional se absteve de reconhecer Jerusalém como a capital. Ela considera que seu status deve ser negociado.

A decisão de Trump é apontada como um golpe fatal para a solução de dois Estados e, mais amplamente, uma negação de Jerusalém como cidade árabe. Também faz temer uma série de reações incontroláveis, uma vez que Jerusalém, com seus lugares sagrados para judeus, cristãos e muçulmanos, é um assunto que desperta paixões.

Os palestinos representam cerca de um terço de uma população de 882 mil habitantes, mas são maioria absoluta em Jerusalém Oriental, anexada por Israel. A ONU nunca reconheceu essa anexação.

Em Bruxelas, o primeiro-ministro israelense repetiu que Trump só oficializou uma realidade.

"Jerusalém é a capital de Israel, ninguém pode negar isso", disse ele. O que o presidente Trump fez "traduz os fatos".

A decisão de Trump "não impede a paz, torna a paz possível porque reconhecer a realidade é a substância da paz", disse ele.

- Encontro Erdogan-Putin -

Os líderes palestinos pensam o contrário. Para eles, Trump adota um viés pró-israelense, antecipando o que aconteceria em uma eventual negociação. Ele desacreditou seu país no papel de mediador da paz, segundo os palestinos.

Os palestinos reivindicam Jerusalém Oriental como a capital do Estado a que aspiram.

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, está nesta segunda-feira no Cairo para uma reunião com o presidente egípcio Abdel Fattah Al-Sissi.

O Egito foi o primeiro - e um dos dois únicos - país árabe a ter selado a paz com Israel. O segundo é a Jordânia, que permanece, por razões históricas e diplomáticas, guardiã dos lugares sagrados de Jerusalém, incluindo a Esplanada das Mesquitas, o terceiro lugar sagrado do Islã.

No domingo à noite, os deputados jordanianos votaram a favor da criação de uma comissão para rever todos os acordos com Israel, incluindo o tratado de paz de 1994, de acordo com a agência de notícias Petra.

A decisão de Trump também afetou as relações recém-restauradas entre Israel e a Turquia. O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, tenta impor-se como o arauto da causa palestina e trocou farpas com Netanyahu.

Ele deve receber o presidente russo Vladimir Putin nesta segunda-feira, dois dias antes de a Turquia acolher uma cúpula da Organização da Cooperação Islâmica sobre Jerusalém.

* AFP

 

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