Primeiro-ministro libanês afirma que 'voltará em breve' ao seu país - Mundo - A Notícia

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Beirute13/11/2017 | 06h17

Primeiro-ministro libanês afirma que 'voltará em breve' ao seu país

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O primeiro-ministro libanês, Saad Hariri, assegurou neste domingo que pensa em "voltar em breve" ao seu país e afirmou que está "livre" na Arábia Saudita, onde se encontra desde sua inesperada renúncia ao cargo, na semana passada, que provocou uma nova crise política no Líbano.

Horas antes, o presidente libanês, Michel Aoun, considerou que "a liberdade de Hariri foi restringida" na Arábia Saudita, enquanto a classe política libanesa expôs suas dúvidas sobre a liberdade de movimento do chefe de governo.

"Estou livre aqui, se eu quiser viajar amanhã, viajarei", afirmou Hariri em uma entrevista em Riade - sua primeira aparição pública desde que renunciou, em 4 de novembro - à rede de televisão libanesa Future, reiterando seu chamado a que o Irã não interfira nos assunto do Líbano e dos países árabes.

"Vou voltar ao Líbano muito em breve para iniciar os procedimentos constitucionais necessários", afirmou Hariri no domingo à noite, em referência à sua renúncia, que o presidente ainda não aceitou.

Ao anunciar em Riad que estava abandonando o cargo, em um discurso transmitido pela rede Al Arabiya, Hariri denunciou o "controle" exercido pelo Irã e pelo poderoso movimento armado xiita Hezbollah, membro de seu governo e próximo a Teerã, nos assuntos internos do Líbano.

O gesto de Hariri foi visto como um novo desacordo entre a Arábia Saudita, sunita e importante apoio de Hariri, e o Irã, xiita e grande aliado do Hezbollah libanês.

As duas potências do Oriente Médio já se enfrentam em outros assuntos regionais, como as guerras do Iêmen e da Síria.

A pedido de Riad, os chanceleres dos países árabes se reunirão em caráter de "emergência" no próximo domingo na sede da Liga Árabe no Cairo para examinar as "violações" do Irã na região, indicaram fontes diplomáticas.

"No Líbano, não podemos continuar assim, com as ingerências do Irã, com um movimento político que pratica estas ingerências com ele", disse no domingo à noite Hariri, referindo-se ao Hezbollah.

Na sexta-feira, o chefe do Hezbollah, Hasan Nasrallah, acusou a Arábia Saudita de ter "detido" Hariri, que tem dupla nacionalidade, saudita e libanesa, e assegurou que sua renúncia havia sido determinada por Riade.

"Escrevi minha renúncia de próprio punho e letra, e quis provocar um choque positivo", disse Hariri no domingo à noite.

Hariri indicou, no entanto, que poderia "rever" sua renúncia se acabassem as intervenções de certos personagens libaneses nos conflitos regionais, no momento em que o Hezbollah participa na guerra na Síria ao lado do regime de Bashar al-Assad.

"Talvez exista um conflito regional entre os países árabes e o Irã. Somos um país pequeno. Por quê ficar no meio?", questionou.

Hariri afirmou ainda que sua relação com o príncipe herdeiro saudita Mohamed bin Salman é "excelente e privilegiada".

A imprensa libanesa indicou uma tensão entre o governo saudita seu protegido, Saad Hariri, que de acordo com Riad seria considerado muito moderado para lidar com o movimento xiita Hezbollah.

Hariri se negou a comentar a detenção, no mesmo dia de sua renúncia, de dezenas de altas personalidades na Arábia Saudita, em nome da luta contra a corrupção.

Seu pai, Rafic Hariri, ex-primeiro-ministro libanês assassinado em 2005, construiu sua fortuna no reino saudita antes de iniciar a carreira política no Líbano.

* AFP

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