Necrotério na Líbia guarda cadáveres esquecidos de combatentes do EI - Mundo - A Notícia

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Misrata14/11/2017 | 17h22

Necrotério na Líbia guarda cadáveres esquecidos de combatentes do EI

AFP
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Nas instalações do organismo de combate ao crime organizado da cidade líbia de Misrata, Ali Tuwaileb verifica a temperatura dos contêineres frigoríficos alinhados a céu aberto. Neste necrotério jazem, km ao leste de Trípoli), três estavam avariados.

"Tivemos que distribuir os corpos em frigoríficos que funcionam", prosseguiu.

"Mas nós precisamos deles, sobretudo no verão. Primeiro por causa das altas temperaturas e sobretudo pelos cortes elétricos. Sempre é preciso se assegurar de que o grupo eletrógeno funciona e que se pode alimentar regularmente com combustível".

Ao abrir um dos contêineres, Tuwaileb libera uma espessa nuvem de vapor com cheiro de morte, que se densifica em contato com o ar quente.

No interior, sacos de corpos machados de sangue e lama estão dispostos em estantes metálicas, envoltos por um cheiro nauseabundo.

"Os sacos têm número e estão classificados. Cada cadáver dispõe de seu próprio dossiê, de uma amostra de DNA e de todos os elementos, documentos e outros indícios encontrados em cada corpo", explica Tuwaileb.

Aos corpos encontrados em Sirte tiveram que somar os dos jihadistas mortos semanas depois em um bombardeio americano ao sul da cidade.

Tuwaileb afirma ter recebido sessenta corpos vindos dos locais bombardeados.

Os Estados Unidos afirmam ter matado mais de 80 combatentes do EI com uma centena de bombas teleguiadas ou a laser, lançadas por dois aviões furtivos sobre dois acampamentos de jihadistas, situados 45 km a sudoeste de Sirte.

- Transferência de dossiês -

Os dossiês foram transportados ao gabinete do procurador-geral em Trípoli. "É ele quem deve decidir o que vai acontecer com estes corpos, se os enterramos e onde", explica Tuwaileb.

Segundo ele e os documentos de identidade encontrados, a maioria dos cadáveres é de jihadistas tunisianos, egípcios, sudaneses e, inclusive, líbios. Ninguém veio buscá-los.

"Não sabemos se estes países contataram o procurador-geral para recuperar os cadáveres de seus cidadãos, mas no que nos diz respeito, ninguém veio nos visitar para tentar identificar os corpos", acrescentou.

Contatado várias vezes pela AFP, o gabinete do procurador-geral não quis se pronunciar sobre o tema.

"Enquanto isso, os corpos vão ficar aqui. O problema é que algumas companhias que nos emprestaram os contêineres frigoríficos querem recuperá-los", reforça Tuwaileb. "Digo a eles que podem recuperar seus frigoríficos, mas com o conteúdo".

* AFP

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