Exército do Zimbábue assume controle da capital para eliminar 'criminosos' ligados ao presidente - Mundo - A Notícia

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Harare15/11/2017 | 08h42

Exército do Zimbábue assume controle da capital para eliminar 'criminosos' ligados ao presidente

AFP
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O Exército do Zimbábue assumiu, nesta quarta-feira (15), o controle das ruas da capital Harare como parte de uma operação destinada, segundo ele, a eliminar "criminosos" da comitiva do presidente Robert Mugabe, que governa o país desde 1980.

Soldados e veículos blindados bloquearam esta manhã o acesso de veículos ao Parlamento, à sede do partido no poder, o ZANU-PF, e ao Supremo Tribunal, constataram jornalistas da AFP.

Os escritórios onde o chefe de Estado reúne seus ministros também foram cercados pelos militares.

Durante a noite, um oficial anunciou na televisão nacional que o Exército estava intervindo contra "criminosos" próximos de Mugabe, mas negou qualquer tentativa de golpe de Estado contra o regime.

Nem o presidente, nem sua esposa Grace, foram vistos ou ouvidos desde esta declaração.

A operação militar ocorre em meio a uma crise aberta entre Mugabe e o líder do Exército após a destituição na semana passada do vice-presidente, Emmerson Mnangagwa, considerado o braço-direito do chefe de Estado.

"Esta não é uma tentativa de derrubar o governo", disse o general Sibusiso Moyo em sua mensagem à Nação em rede nacional de TV.

"Queremos assegurar à Nação que sua excelência, o presidente (...) e seus familiares estão sãos e salvos, com sua segurança garantida", declarou. "O alvo são criminosos em seu entorno (de Mugabe) que estão cometendo crimes. Após cumprirmos nossa missão esperamos que a situação volte à normalidade", ressaltou.

Aliado de Mugabe, o presidente sul-africano, Jacob Zuma, declarou esta manhã sua hostilidade a qualquer mudança de regime "inconstitucional" no país vizinho.

"Muito preocupado" com a situação, Zuma também fez um apelo "à calma e à contenção" e exortou as partes a "resolver amigavelmente o impasse político".

Pouco depois, a presidência sul-africana indicou em um comunicado que Mugabe afirmou a Zuma que estava sendo mantido detido pelos militares.

Um forte tiroteio ocorreu durante a madrugada, na zona da residência de Mugabe em Harare, segundo testemunhas contactadas pela AFP.

"Pouco antes das duas da manhã escutamos entre 30 e 40 disparos, durante três a quatro minutos, procedentes de sua residência", contou à AFP um morador do bairro de Borrowdale.

Na segunda-feira, o comandante do Exército, Constantino Chiwenga, ordenou o fim do expurgo no partido ZANU-PF, no poder, após a destituição do vice-presidente Emmerson Mnangangwa, e advertiu para uma intervenção dos militares.

"Devemos lembrar a quem está por trás destes acertos desleais que quando se trata de proteger nossa revolução, os militares não hesitarão em intervir", alertou o general.

Um porta-voz do ZANU-PF reagiu às declarações do general Chiwenga, afirmando que foram "claramente calculadas para perturbar a paz nacional (...) e sugerem uma conduta traidora por sua parte com a intenção de incitar à insurreição".

Mnangagwa foi destituído uma semana depois de ter discutido com Grace, esposa de Mugabe e primeira na linha de sucessão do marido, de 93 anos.

O ex-vice-presidente tem fortes vínculos com o Exército, após ter ocupado o cargo de ministro da Defesa.

Mugabe, que dirige o Zimbábue com mão de ferro desde a independência do país, em 1980, já anunciou que concorrerá em 2018 a um novo mandato.

Antes da troca de tiros desta quarta-feira, o Foreign Office britânico relatou "movimentos de veículos militares nas imediações de Harare".

A embaixada dos Estados Unidos em Harare recomendou a seus cidadãos que permaneçam em casa diante da "incerteza política" no Zimbábue.

"Recomendamos aos cidadãos americanos no Zimbábue que se protejam permanecendo em suas casas até novo aviso".

"Em razão da incerteza política que impera esta noite, o embaixador instruiu todos os funcionários (diplomáticos) a permanecer em casa".

Mugabe é o decano dos chefes de Estado em atividade. Sob o seu regime autoritário, o país africano empobreceu muito e desde o início dos anos 2000 lida com um desemprego em massa - cerca de 90% da população ativa - e uma falta de liquidez que atrasa o pagamento dos salários dos funcionários.

* AFP

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